Centro de Saúde de Évora fez consultas a mortos

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Vários utentes falecidos constam dos registos de atendimento de um Centro de Saúde em Évora, para efetuaram tratamentos de enfermagem presenciais e não presenciais, numa fraude que terá tido como objetivo aumentar os rendimentos dos profissionais da unidade.

Este caso é divulgado pelo jornal Expresso que teve acesso a documentos que revelam dez “contactos de enfermagem”, presenciais e não presenciais, a idosos já falecidos há vários anos, na Unidade de Saúde Familiar Lusitânia, em Évora. Isto significa que a Unidade cobrou ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) várias consultas a utentes mortos.

A alegada fraude terá ocorrido entre 2013 e 2016, envolvendo “três das cinco enfermeiras da Unidade de Saúde Familiar” e terá “permitido às equipas ganharem mais”, conforme aponta o Expresso.

O semanário nota que os registos fraudulentos poderão ter tido como objetivo melhorar “os resultados da instituição”, uma vez que os profissionais da Unidade de Saúde são remunerados em função da produtividade e da qualidade dos serviços.

Os responsáveis do Agrupamento de Centros de Saúde do Alentejo Central e da Administração Regional de Saúde do Alentejo afiançam ao Expresso que não tinham conhecimento do caso, mas que já ordenaram “um processo de averiguações”.

Para o presidente da Associação Nacional de Unidades de Saúde Familiar, João Rodrigues, trata-se de uma situação “gravíssima”, motivada por um “sistema” que permite “alguma aldrabice nos registos porque é frágil”, conforme diz ao Expresso.

“Posso melhorar o resultado de um exame de um diabético para cumprir os critérios de qualidade que serão pagos”, salienta João Rodrigues, salientando que “a única maneira de detectar a fraude é criar um sistema rotineiro de auditoria interna”.

Os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) garantem, numa nota ao Expresso, que o sistema foi “reforçado”, no passado mês de Dezembro, “com a inclusão obrigatória de dados, como o número de identificação fiscal” e com um mecanismo de bloqueio “quando não são todos introduzidos, reforçando assim o combate à fraude”.

“A actualização da caracterização dos utentes falecidos é feita no Registo Nacional de Utentes (RNU) de forma automática, com base na informação enviada pelo Sistema de Informação de Certificados de Óbito, após validação do Ministério da Justiça”, sendo que desta forma “a marcação de consultas bem como o registo de informação clínica não é possível”, garante a nota dos SPMS ao Expresso.

ZAP //

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22 COMENTÁRIOS

  1. Esta noticia não deve surpreender ninguém. Existem mais de 200 entidades e organismos públicos, que representam mais de 20 mil milhões por ano para a despesa do orçamento do estado, e cujo controlo, eficiência, objetivos e resultados não são conhecidos de ninguém nem auditados por ninguém. Servem para suportar uma classe média de funcionários públicos que subiram nas suas carreiras durante anos a fio de forma automática e estão hoje a receber valores completamente desajustados das funções e do mercado, aos quais acrescem suplementos e subsídios surreais. Este é um exemplo caricato mas que se repete com as devidas adaptações aos 220 organismos públicos se os mesmos fossem auditados. O PCP preocupa-se com os 8 mil milhões de juros do dinheiro que gastamos em serviços públicos mas não se preocupa com os mais de 80 mil milhões de salários e pensões por ano. Isto revela bem a cegueira que vai pela geringonça se pensam que o pais pode viver a suportar estes valores.

    • Até estava com razão, mas quando chegou à política (PCP e geringonça) afundou-se tremendamente. Leia a notícia outra vez. Diz lá que esta aldrabice ocorreu de 2013 a 2016. Que geringonça se refere? A do Passos/Portas?
      E fique sabendo que estas situações não têm partido. Aldrabices acontecem com qualquer cor no Governo.O português é muitoi bom a desenrrascar muita coisa. Mas também é muito criativo para arranjar maneira de “dobrar” as leis e regras. Aqui nada tem a ver com políticas. Tem a ver com as falcatruas das direcções e responsáveis da gestão de empresas e instituições públicas. Não confunda “alhos com bugalhos”!

    • Salários é para quem trabalha e pensões são para quem já trabalhou e descontou. Mais: também os funcionários públicos fazem descontos e enriquecem o SNS onde você está incluído.
      Dividir trabalhadores não é boa política.

      • Só há uma diferença de fundo. É que nos privados tiveram de o ganhar efetivamente para depois o pagar. No público apenas deixam de o auferir. E isso, minha cara, faz toda a diferença.

    • Em 10 anos, o Estado (leia-se trabalhadores por conta de outrém, pois são os que pagam impostos…) deram aos bancos 13 mil milhões de Euros aos bancos…

  2. Mais um caso entre muitos outros que são noticiados e depois acabam no esquecimento , pura e simplesmente porque não são do conhecimento público eventuais condenações dos autores.
    Eles são médicos, farmacêuticos enfermeiros, tudo no ver se sacam mais algum.
    Já cansa ver funcionários públicos , pagos por todos nós , literalmente a roubar , muitos dos quais certamente na linha da frente das greves ou reivindicações na altura de pedir mais direitos e regalias e depois nada acontece. Nem são despedidos , nem pagam os dinheiros públicos que subtraíram etc etc . Nojento

  3. Não sei quem é a Ana GONÇALVES, mas está sempre a criticar 2 comentários de pessoas que simplesmente estão indignadas com o que se passa em Portugal ( ele é cada caso mais absurdo, caricato e cheio de imaginação para sacar dinheiro, e no final quem paga é o mesmo – o POBRE, e nunca o rico). o POBRE vai para a prisão por roubar 1 kilo de arroz, e o rico diz que é apenas um erro de contas quando se trata de milhões, ou não tinham conhecimento, ou foi a mulher da limpeza.

    Por isso quem é a Ana GONÇALVES para não perceber os comentários? (e não se trata de uma questão de generalização de todas os funcionários públicos, cada um enfia a carapuça como bem entender). Não como existe pessoas sempre a defender casos destes.

  4. E ainda há quem se queixe que este país tem uma assistência médica má, se até os mortos têm direito a ela onde é que existe outro país no mundo com tal regalia?.

    • Sim, o nosso SNS é de facto muito bom. Até dos mortos cuidamos.

      “Morra em Portugal e tenha assistência para além da morte.”, com o alto patrocínio de todos os que trabalham.

  5. Ordenados com compensações com base na produtividade não funcionam nos organismos públicos. Há sempre uma maneira de se falsificar os registos. Isto traz para os organismos públicos pessoas menos competentes e menos idóneas. Os trabalhos na função pública deviam estar reservados às pessoas que trabalham por vocação e cujo objectivo primeiro não é enriquecer.

  6. O mau exemplo vem de cima!
    Admiram-se de quê?!
    Mão pesada para as figuras de proa desencorajava logo o peixe miúdo.
    O estado a que chegamos tem de ser conveniente para alguém, nem que seja só uma meia dúzia, pois o culto da impunidade é uma religião com hierarquia bem montada.

  7. Só se lê coisas estupidas! Esta notícia foi em 2013!!!
    Este povinho gosta é de desgraças. Até na política.

    Coitado do nosso país.

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