Centenas de soldados renderam-se aos talibãs no aeroporto de Kunduz no Afeganistão

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Soldado norte-americano no Afeganistão

A retirada das tropas da NATO do Afeganistão tem dado aos talibãs a possibilidade de avançarem na conquista do norte do país. Joe Biden afirma que não se arrepende da decisão de remover as tropas americanas.

Centenas de elementos das forças de segurança afegãs retiraram-se da área do aeroporto da cidade de Kunduz, no nordeste do Afeganistão, e renderam-se às forças talibãs, disse à France Presse um conselheiro provincial.

“Hoje de manhã centenas de soldados, polícias e membros das ‘forças de resistência’ (milícias governamentais) que se encontravam no aeroporto renderam-se aos talibãs com todo o equipamento”, disse Amruddin Wali, conselheiro da província de Kunduz.

Durante a noite, a cidade de Faizabad, no extremo da região nordeste do país, foi tomada pelas forças talibãs, disse à France Presse, Zabihullah Attiq, deputado na província de Badakhshan.

Com a tomada de Faizabad, os talibãs dominam nove capitais provinciais em menos de uma semana de combates e afastaram a possibilidade de qualquer acordo de cessar-fogo com o governo afegão, numa altura em que já conquistaram mais territórios nos últimos dois meses do que nas duas décadas anteriores.

A ofensiva talibã começou em maio, com o início da retirada das forças dos Estados Unidos e da Aliança Atlântica, incluindo militares portugueses, e intensificou-se nos últimos dias, em todo o país.

A ofensiva está a provocar uma vaga de deslocados internos e de refugiados e acusações entre os governos ocidentais sobre as responsabilidades dos avanços dos talibãs. O ministro da defesa britânico apontou o dedo aos aos aliados da NATO que decidiram não ficar mais tempo no Afeganistão depois da retirada dos EUA.

Na terça-feira, o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou não se arrepender de concluir a retirada das tropas norte-americanas do Afeganistão, e que os afegãos “devem lutar por si mesmos”.

Não me arrependo da minha decisão”, afirmou Biden, num momento que os talibãs continuam a conquistar território às forças governamentais.

  ZAP // LUSA

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