Ter um cão mais calmo e amigável pode, afinal, não ser bom sinal

Os cães mais cordiais são menos dominantes nas hierarquias caninas, o que pode pôr em causa a sua sobrevivência quando têm de competir por recursos.

É uma coisa boa para os donos, mas pode não ser assim tão boa para os animais. Ter um cão cordial e amigável pode ter implicações sérias nas suas interações sociais com outros caninos, escreve o Science Alert.

As conclusões partiram de um novo estudo publicado na Applied Animal Behaviour Science. Os investigadores notaram que os cães de companhia tiveram avaliações mais altas nos parâmetros da amabilidade e de afectividade, sendo assim menos provável que estes animais liderem uma hierarquia canina.

Por outro lado, os cães que tiveram notas altas noutras outras três medidas para a personalidade canina — extroversão, abertura e consciência — tinham uma maior probabilidade de dominar outros animais no seu grupo social. A característica do neuroticismo está também mais associada à liderança.

Os resultados foram baseados num questionário de personalidade feito a 615 donos de cães de todo o mundo, sendo que todos tinham pelo menos dois cães para se poder avaliar qual deles era o líder. O inquérito sugere ainda que a idade de um cão está associada à sua posição, com os cães mais velhos a serem mais dominantes, já que estes geralmente são menos cordais.

Na natureza, conseguir ser dominante entre os outros animais pode ser uma questão de vida ou de morte. No ambiente dos lares dos donos, este tipo de sistema de classificação social continua a aplicar-se, mas suas consequências são muito menos perigosas.

“Depois de estabilizar, a hierarquia pode ajudar a ter acesso a estes recursos — a favor dos indivíduos mais dominantes — sem conflitos sérios ou danos. Nos grupos de cães de companhia que coabitam, no entanto, a competição é menos prevalecente já que os recursos são dados pelo dono“, sublinha o estudo.

Mas apesar da competição entre os animais num contexto doméstico ser menos perigosa, o domínio da hierarquia nos cães domésticos é algo que já está a ser estudado há vários anos.

Ainda não se sabe muito sobre como esta falta de competição pelos recursos afeta a sobrevivência, mas os cientistas já sabem de certeza que a personalidade dos cães tem influência.

O novo estudo aponta quais as características que podem ter um impacto maior, mas os investigadores sublinham a necessidade de se fazer mais estudos para se ter certezas.

ZAP //

Deixe o seu comentário

Your email address will not be published.