“Buraco” do Fundo de Resolução aumenta para 7 mil milhões (e a culpa é do Novo Banco)

José Sena Goulão / Lusa

António Ramalho, presidente do Novo Banco

Os prejuízos do Fundo de Resolução agravaram-se para 119,4 milhões de euros, depois de terem atingido 106,3 milhões de euros em 2018. O “buraco” na entidade já vai em 7020,6 milhões de euros. As injecções no Novo Banco contribuíram para este saldo negativo.

Os resultados apresentados reflectem “no essencial, o reconhecimento dos  juros relativos aos empréstimos obtidos para o financiamento da medida de resolução aplicada ao BES e das medidas de resolução aplicadas ao Banif (116,6 milhões de euros, dos quais 102,6 milhões de euros pagos ou a pagar ao Estado) e o pagamento de comissões ao Estado, no montante total de 2,7 milhões de euros”, refere em comunicado o Fundo de Resolução.

Assim, “do resultado líquido negativo de 119,4 milhões de euros, cerca de 105,3 milhões de euros correspondem a valores entregues ou a entregar ao Estado“, lê-se no relatório da instituição que agrega bancos e sociedades financeiras e que se tem destacado pelas injecções de dinheiro no Novo Banco.

A entidade indicou que em 31 de Dezembro de 2019 “os recursos próprios do Fundo apresentavam um saldo negativo de 7020,6 milhões de euros, o que representa um agravamento do saldo negativo em 906,6 milhões de euros” face a 2018.

Este agravamento deveu-se, de acordo com o documento, ao efeito das “contribuições recebidas pelo Fundo de Resolução, provenientes, directa ou indirectamente, do sector bancário, cujo valor global ascendeu a 253,8 milhões de euros”, conjugado com “os efeitos financeiros ainda decorrentes da aplicação de medidas de resolução, cujo valor global líquido ascendeu a -1040,9 milhões de euros”, e com “os encargos relacionados com o financiamento do Fundo de Resolução, cujo valor global ascendeu a 119,4 milhões de euros e se encontra reflectido no resultado líquido do exercício”.

Na última injecção de capital, referente a 2019, o Novo Banco requereu ao Fundo de Resolução 1037 milhões de euros, mas o Fundo transferiu 1035 milhões de euros. Segundo noticiou o jornal Expresso, o valor de dois milhões de euros não transferido corresponde aos bónus dos membros do Conselho de Administração Executivo liderado por António Ramalho, a serem pagos no futuro, mas correspondentes a 2019.

No comunicado, o Fundo indicou ainda que “já procedeu a pagamentos de juros no montante total de 620,5 milhões de euros, aproximadamente, dos quais cerca de 530,4 milhões de euros foram pagos ao Estado e 90,1 milhões de euros foram pagos aos bancos”, sendo que ao montante pago ao Estado “acresce a verba de 19,4 milhões de euros, aproximadamente, relativa a comissões pagas ao Estado”.

O Fundo de Resolução foi criado em 2012 para prestar apoio financeiro às medidas de resolução que viessem a ser aplicadas pelo Banco de Portugal às instituições e para desempenhar as funções conferidas pela lei no âmbito da execução de tais medidas, segundo o ‘site’ do organismo.

ZAP ZAP // Lusa

PARTILHAR

2 COMENTÁRIOS

  1. Não há por aí fundos de resolução para as empresas que têm, apesar de bem geridas, mas devido às dificuldades do mercado e conjunturas, de enviar colaboradores para o desemprego? E olhem que são bem mais do que os mil funcionários públicos do Novo Banco (aqueles tais que coitadinhos, iam para o desemprego se o banco falisse). O lehman brothers também faliu e o mundo não acabou…

RESPONDER

"Ihor gritava como um cão atropelado". Seguranças contam nova versão em tribunal

O segurança Manuel Correia testemunhou esta quarta-feira que “ouviu gritos” de Ihor Homeniuk vindos de uma sala do SEF no aeroporto de Lisboa e que encontrou um dos inspetores com um pé em cima da …

Dos pés de Cancelo para a cabeça de Bernardo Silva. City ganha na Champions com um golo 100% português

Os internacionais portugueses João Cancelo e Bernardo Silva foram fundamentais para a vitória do Manchester City sobre o Borussia Monchengladbach (2-0), na primeira mão dos oitavos da Liga dos Campeões, com ação direta nos dois …

"População não interiorizou a gravidade da situação". Depois de Siza, Cabrita aponta o dedo aos portugueses

Num relatório sobre a aplicação do decreto do estado de emergência na segunda quinzena de janeiro, Eduardo Cabrita justifica o fecho das escolas e o fim das vendas ao postigo, culpando a população pelas decisões …

Esta época há menos 500 clubes. "É o drama absoluto", diz presidente da FPF

Esta época há menos 500 clubes em comparação com a temporada transata. O presidente da FPF, Fernando Gomes, classifica a situação de "drama absoluto". A pandemia de covid-19 e a consequente interrupção das competições foi um …

Psicólogos no recrutamento e mudanças na formação. IGAI quer acabar com discriminação na polícia

A Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) quer envolver psicólogos no processo de recrutamento de novos polícias e rever os currículos de formação para acabar com práticas discriminatórias nas forças de segurança. As alterações no processo de …

Coleção de joias da era Viking é encontrada na Ilha de Man. É "excecionalmente rara"

Uma coleção de joias da era Viking foi encontrada na Ilha de Man, entre Inglaterra e a Irlanda, em novembro de 2020 e foi agora classificada como tesouro. Os especialistas acreditam que os artefactos, descobertos …

“As brasileiras são mercadoria". Professor da UP suspenso por comentários machistas e xenófobos nas aulas

Após uma denúncia que reuniu assinaturas de mais de uma centena de alunas, o professor auxiliar Pedro Cosme da Costa Vieira foi suspenso pelo período máximo de 90 dias, da Faculdade de Economia da Universidade …

Houve buzinão na Luz (mas sem "carinho"). Jesus culpa covid-19 pela crise do Benfica

Algumas dezenas de adeptos protestaram junto ao Estádio da Luz com um buzinão, entre gritos de "Rua Vieira" devido aos maus resultados do Benfica. Antes disso, Jorge Jesus tinha apelado a um "buzinão de carinho" …

Marcelo remete diretamente para o Governo limites ao ruído nos prédios

O chefe de Estado incluiu o detalhe "decreto-lei do Governo", no novo decreto para a renovação do estado de emergência, para permitir que o Executivo limite o ruído nos prédios. No último decreto que executou o …

Clubes ingleses decidiram: não há público, acabou a época

Decisão não afeta a Premier League mas antecipa o final de quatro divisões do futebol inglês. Na época passada os campeonatos também não chegaram ao fim. Muitos dos campeonatos não-profissionais (em várias modalidades) estão parados, não …