A machadada final no Build Back Better. Senador Democrata Joe Manchin destrói planos de Biden e anuncia voto contra

Após meses de impasse e mesmo depois de Biden ter cortado em metade o valor do pacote social, o Senador Democrata Joe Manchin anunciou que vai votar contra o Build Back Better.

Depois de vários meses de negociações com a Casa Branca, Joe Manchin continua sem se render. O Senador Democrata anunciou que vai votar contra o pacote de investimento sociais de Joe Biden, que foi uma das grandes bandeiras da sua campanha eleitoral.

O documento original já foi bastante diluído perante a oposição de Manchin e Kyrsten Sinema, outra Senadora Democrata, mas pode ainda ter de ser novamente alterado para poder ser aprovado.

Em declarações à Fox News, Manchin, que é um dos políticos mais conservadores dentro dos Democratas, disse que não pode “votar para que prossiga esta legislação”, apesar de ter “tentado tudo o humanamente possível” para que fosse aprovado.

“[O Presidente Biden] conhece as preocupações e os problemas que tive”, indicou Manchin. Já desde o início que o Senador criticava o investimento previsto no pacote e falava em preocupações com o aumento da despesa pública.

O plano, conhecido como Build Back Better, prevê um investimento de 1.5 biliões de euros ao longo de dez anos na transição energética, nos cuidados de saúde, ou na criação de creches gratuitas.

Durante meses, a proposta esteve empatada no Congresso, assim como a lei das infraestruturas. Já depois da lei da infraestruturas, outra grande promessa de Biden, ter sido aprovada no Senado, a ala progressista na Câmara dos Representantes recusou votar sem terem a garantia de que o pacote social também passaria.

Ora, o problema é que, num Senado com 50 votos para cada partido e em que cada um é imprescindível, Manchin e Sinema opuseram-se ao Build Back Better. Meses e imensas reuniões com a Casa Branca depois, o impasse continua.

Biden acabou por conseguir garantir a aprovação da lei das infraestruturas na Câmara dos Representantes sem o apoio dos progressistas, tendo antes preferido negociar com 13 Republicanos, acabando assim com o bloqueio — mas sem a garantia de que o pacote social seria aprovado.

Mas parece agora que os receios da ala progressista de que os votos separados das duas leis acabassem por levar a que uma delas caísse estavam certos, perante o anúncio do Senador da Virgínia Ocidental.

Apenas umas horas após ter sido conhecida a decisão do senador, a secretária de imprensa do Governo norte-americano, Jen Psaki, emitiu um duro comunicado contra Manchin, ao acusá-lo de quebrar “o seu compromisso com o Presidente e com os seus colegas da Câmara dos representantes e no Senado”.

“Os seus comentários representam um retrocesso repentino e inexplicável da sua posição”, apontou Psaki, ao assegurar que o senador tinha prometido a Biden durante uma visita à sua casa em Delaware o apoio ao plano social e que se comprometeu “várias vezes” a negociar os últimos detalhes.

Os Democratas pretendiam aprovar o plano sem a necessidade de apoios Republicanos, já que todos se manifestaram contra , através de um processo conhecido como “reconciliação”, que permite a aprovação de uma lei orçamental na Câmara alta (Senado) por maioria simples, ao contrário dos 60 votos que normalmente são expressos nas votações.

  Adriana Peixoto, ZAP // Lusa

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