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Bronca na Liga. Contestação adia 5 substituições e o Marítimo recusa assinar Plano de Retoma

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Paulo Novais / Lusa

O presidente do Marítimo, Carlos Pereira

Após dois dias intensos de reuniões, foi aprovado o Plano de Retoma do campeonato nacional para a disputa das últimas 10 jornadas da época 2019/2020. Mas apenas 17 clubes o assinaram. O Marítimo recusou fazê-lo, falando de uma “declaração ilegal” e levando à queda das 5 substituições.

O Marítimo foi o único clube dos 18 da Liga principal que não assinou o Plano de Retoma do campeonato, no pós-confinamento devido à pandemia de covid-19.

O FC Porto também ameaçou não o assinar, mas acabou por fazê-lo.

Este Plano de Retoma define as condições em que vão ser jogadas as últimas 10 jornadas da Liga devido às contingências impostas pela covid-19. Uma das normas que o esboço inicial incluía previa 5 substituições e 9 suplentes no banco. Mas depois das contestações de Benfica e Marítimo, ao que reporta A Bola, a norma caiu por terra.

Benfica e Marítimo manifestaram a preocupação pelo facto de poder haver legitimidade para um clube impugnar o campeonato, uma vez que a norma foi decidida em sede de direcção da Liga quando este tipo de decisões têm que ser tomadas em Assembleia Geral (AG).

Assim, a Liga de Clubes resolveu retirar a norma do Plano, mantendo-se as 3 substituições e 7 jogadores no banco.

As 5 substituições devem ser debatidas na AG do próximo dia 9 de Junho – especula-se que essa AG pode ser antecipada para 8 de Junho, de modo a que seja possível aplicar as 5 substituições já na Jornada 26, a segunda da retoma.

Mas, mesmo com a queda das 5 substituições, o Marítimo recusou-se a assinar a Declaração de Aprovação do Plano de Retoma Covid-19. Uma posição que revoltou os restantes clubes e que levou o FC Porto a ameaçar também não assinar o Plano.

Depois de o Marítimo ter garantido, em comunicado, que “renuncia à faculdade de impugnar o campeonato com base nas questões ligadas ao Plano de retoma”, o FC Porto recuou e acabou por assinar a declaração.

Irredutível manteve-se o Marítimo quanto à assinatura do documento, alegando que “aceita todos os aspectos técnicos e demais definidos no plano”, mas que “discorda com o procedimento adoptado: não é nem o órgão competente para o efeito, nem é o procedimento correcto, e viola as normas estatutárias e regulamentares em vigor”.

O clube insular conclui que “não aceita ser coagido a assinar uma declaração ilegal“.

Liga critica “a infeliz oposição” do Marítimo

Em comunicado, a Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) critica o que define como “a infeliz oposição de uma sociedade desportiva”.

Para a LPFP, a posição do Marítimo, “além de desautorizar os departamentos de futebol”, abre a porta “a impugnações e procedimentos disciplinares que, a todo o custo, o futebol profissional deve evitar”.

O organismo que tutela o futebol profissional recorda que o plano de retoma decorreu “num clima de cooperação construtiva, com os contributos dos consultores de saúde pública da Liga Portugal e em articulação com o Grupo de Trabalho da USP [Unidade de Saúde e Performance] da FPF [Federação Portuguesa de Futebol] e com a DGS [Direcção-Geral da Saúde]”, e nota que foi feito “na exclusiva defesa dos interesses das sociedades desportivas”.

“A decisão, do regresso da Liga NOS, foi tomada em benefício dos clubes e dos seus compromissos, mas não pode, em circunstância alguma, comprometer as actuais condições de segurança e saúde ou as determinações do executivo governamental e da DGS dirigidas ao futebol”, lê-se no comunicado da LPFP.

Quanto à queda da norma das 5 substituições, a Liga destaca que “é um claro revés para os interesses dos clubes e – ainda mais importante – para a preservação da condição física dos atletas, que foi bloqueada por uma interpretação excessivamente restritiva dos estatutos e que foi tão mais surpreendente quanto veio ao arrepio da posição unânime dos clubes, consultados os seus departamentos de futebol”.

A LPFP relembra ainda que esta “foi uma proposta que, desde a primeira hora, se anunciou que seria submetida à ratificação da AG da Liga Portugal”.

“Com efeito, na falta da unanimidade dos participantes na competição, poder-se-ia suscitar a questão da utilização irregular de jogadores, que é sancionado com a pena de derrota, subtracção de pontos e multa”, assume a LPFP.

A I Liga vai ser reatada sob fortes restrições e sem público nos estádios em 3 de Junho, com o encontro entre Portimonense e Gil Vicente, naquele que vai ser o primeiro dos 90 jogos das últimas 10 jornadas que vão decorrer até 26 de Julho.

Após 24 jornadas, o FC Porto lidera a competição, com 60 pontos, mais um do que o campeão em título, o Benfica.

Além do principal escalão, também a final da Taça de Portugal, entre Benfica e FC Porto, integra o plano de desconfinamento face à pandemia de covid-19, mas ainda sem data e local definidos.

  ZAP // Lusa

1 Comment

  1. Afinal é o Benfica e o Marítimo, mas claro só este último é que fica nos cornos do boi, mas em todo o caso o homem das barbas parece ser sempre do contra em tudo.

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