Brasileiro pode ser um dos piores serial killers das últimas décadas

Caso se confirmem as 39 mortes confessadas por Tiago Henrique Gomes da Rocha, preso a 16 de outubro, o brasileiro estará entre os serial killers mais letais da História moderna. É o que afirma o professor de criminologia Scott Bonn, da Universidade Drew, em Nova Jérsia (EUA).

A polícia de Goiânia (capital do Estado de Goiás, no centro do país) diz que Tiago Rocha, de 26 anos, cometeu os crimes a partir de 2011. Entre suas vítimas estão sem-abrigo, homens gays e jovens mulheres. O jovem foi preso na semana passada numa operação da polícia.

“O total de vítimas colocá-lo-ia no topo do ranking, ao lado dos mais prolíficos serial killers da história moderna”, disse Scott Bonn à BBC.

Bonn, autor do livro “Why We Love Serial Killers” (Por que amamos assassinos em série), prestes a ser lançado, compara o brasileiro a psicopatas norte-americanos que ficaram célebres pelos seus crimes.

“Ele parece ser um psicopata, como Ted Bundy, John Wayne Gacy, Dennis Rader ou Gary Ridgway, que foram alguns dos mais prolíficos serial killers da história americana”, afirma o especialista.

Psicopatas

Acredita-se que Ted Bundy, executado em 1989, tenha violado e assassinado pelo menos 36 mulheres nos anos 1970. Considerado bonito e extremamente carismático, ele atraía suas vítimas muitas vezes fingindo estar ferido e pedindo ajuda. Ao contrário do brasileiro Tiago Rocha, Bundy não usava armas de fogo, preferindo ferir ou estrangular as suas vítimas.

John Wayne Gacy torturou, violou e assassinou pelo menos 33 rapazes nos anos 1970. Ele era considerado um membro exemplar da comunidade, inclusive ao vestir-se de palhaço em eventos de beneficência, o que o tornou conhecido como “o Palhaço Assassino”.

Dennis Rader torturou e matou dez homens e mulheres de diferentes idades entre os anos 1970 e 1990 no Estado do Kansas. Ele costumava enviar cartas à polícia e a jornais com pormenores dos seus crimes. Já Gary Ridgway foi condenado por matar 49 mulheres a partir dos anos 1980, mas acredita-se que o número de vítimas possa passar de 90.

“Todos eles eram completos psicopatas, e só foram apanhados porque acabaram cometendo algum erro”, observa Scott Bonn.

O Brasil também já teve outros casos célebres de assassinos em série, como Pedro Rodrigues Filho, o “Pedrinho Matador”, acusado de mais de 70 mortes, entre elas a do próprio pai, e Francisco das Chagas Rodrigues de Brito, que estuprou, matou e castrou 42 meninos no Maranhão e no Pará entre 1991 e 2003.

Missão

O criminologista ressalta que, assim como Tiago Rocha, os psicopatas norte-americanos mencionados levavam vidas aparentemente normais, sem despertar suspeitas.

Vizinhos e colegas de Rocha declararam-se surpresos com a revelação dos seus crimes. Os empregadores afirmaram que, até então, a conduta do vigilante no ambiente de trabalho era “irrepreensível”.

“Psicopatas usam máscaras, conseguem fingir ser perfeitamente normais. Sabem qual a coisa correta a dizer e a fazer em cada situação. Não sentem emoções, mas são muito bons em fingi-las. Conseguem camuflar-se, como um camaleão”, diz Bonn.

O criminologista salienta que os psicopatas não são doentes mentais. “É um transtorno de personalidade. São indivíduos capazes de compartimentalizar as suas vidas. Este trabalhava num hospital, podia até parecer um rapaz porreiro, mas tinha esse alter ego“, afirma.

A escolha das vítimas feita por Rocha, que diz ter matado homossexuais e pelo menos oito sem-abrigo, leva o especialista a classificar o brasileiro numa categoria de assassinos em série definida como “mission killers”, ou assassinos com uma missão.

“É alguém que imagina, na sua mente perturbada, estar a fazer um bem para a sociedade. É uma forma de racionalizar os seus crimes”, afirma.

Bonn lembra o caso do ex-fuzileiro naval Itzcoatl Ocampo, acusado de uma série de homicídios em Los Angeles entre 2011 e 2012, cujas vítimas principais eram sem-abrigo.

“Ele estava revoltado porque tinha sido treinado para ser um atirador de elite no Iraque, mas nunca pôde colocar isso em prática. Então, decidiu livrar a sociedade dos sem-abrigo.”

Rejeição e abuso

O ex-advogado de Rocha revelou que seu cliente tinha sofrido abuso sexual na infância e bullying na escola.

Para Bonn, é provável que esse tipo de experiência tenha deixado no brasileiro um sentimento de raiva.

“Os crimes eram a sua maneira de canalizar essa raiva, sentia que tinha sido abusado pela sociedade e encontrou uma maneira de se vingar”, diz.

O criminologista observa que, no caso dos homicídios de mulheres atribuídos a Tiago Rocha, há indícios de que os crimes não tenham tido motivação diretamente sexual.

Desde janeiro deste ano, pelo menos 15 mulheres foram mortas a tiro em Goiânia por um motociclista com o rosto coberto. Agora, acredita-se que o jovem seja o autor desses crimes.

“O fato de ter atirado contra elas à distância indica que não há um componente sexual para esses crimes, que tinham outra motivação. Suspeito que seja porque ele simplesmente tinha raiva de mulheres, por ter sido rejeitado quando era mais jovem”, afirma.

Segundo os policiais que trabalham no caso, Tiago Rocha teria dito que sofreu traições e desilusões amorosas. O suspeito também teria demonstrado desconforto com a presença de mulheres durante seus depoimentos.

Além dos assassinatos, Tiago Rocha é investigado por cerca de 90 roubos. Ao ser preso, pediu ajuda médica.

Scott Bonn salienta, porém, que não existe cura para um psicopata. “Por norma, os psicopatas são isolados nas prisões e podem aprender a obedecer às regras e até tornarem-se prisioneiros modelo. Mas não há cura.”

ZAP / BBC

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