Braga pagou para ser o Melhor Destino Europeu? Autarquia fala em inscrição ”correta e honrosa”

Sérgio Freitas / Câmara Municipal de Braga

A polémica surgiu depois de um artigo do Polígrafo, que tem por base quatro contratos celebrados entre a autarquia e o presidente da European Best Destinations em 2019 e em 2021, presentes no portal Base, e da entrevista de Elidérico Viegas ao jornal i.

O alerta foi dado no Facebook, numa publicação de 24 de março que revela que “o Município de Braga adjudicou ao CEO da empresa European Best Destinations a ”aquisição de serviços de promoção da cidade de Braga entre os melhores destinos europeus para visitar em 2021”.

Contudo, a autarquia afirma que a inscrição no concurso que deu a Braga o título de Melhor Destino Europeu foi feita “de forma transparente, correta e honrosa” e custou ao município 16.830 euros.



De recordar que com mais de 109 mil votos, Braga conquistou, este ano, o título de Melhor Destino Europeu para visitar.

Porém, este contrato, bem como outros três disponíveis para consulta do portal Base, têm como entidade adjudicatária Maximilien Didier Lejeune, responsável máximo do EBD, e não a própria organização de promoção turística no espaço europeu.

A nota de imprensa do município bracarense surge após declarações de Elidérico Viegas, então presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), numa entrevista ao jornal i no final de março, que puseram em causa a legitimidade dos prémios turísticos.

No meio da polémica surge o Minho, sobretudo depois de o Polígrafo ter publicado um artigo que dá como “Verdadeiro” o facto de a Câmara de Braga ter pagado 86 mil euros ao presidente da organização que, entre outros, atribui o prémio de “Melhor Destino Europeu”.

Isto porque, este ano, para além do contrato acima referido, datado de 1 de fevereiro e que serviu para a “aquisição de serviços de promoção de Braga como destino seguro nos mercados internacionais”, o município celebrou um contrato para a “aquisição de promoção turística internacional” com o valor de 70 mil euros – novamente com Lejeune.

Em 2019, ano em que a cidade ficou em segundo lugar na competição, também se celebraram contratos com o responsável máximo do EBD: um a 16 de setembro, no valor de 8.940 euros, e outro, de 9.980 euros, de 8 de fevereiro desse ano.

Assim sendo, a Câmara Municipal de Braga pagou mais de 105 mil euros a Lejeune em dois anos.

Câmara de Braga fala em processo transparente

No esclarecimento público, a autarquia afirma que a inscrição na competição europeia foi feita “de forma transparente, correta e honrosa”. “Quaisquer cidades portuguesas ou europeias que se queiram candidatar a este prémio” têm de pagar a sua inscrição, indica a mesma fonte.

No site do EBD, pode ler-se que “taxas de participação são solicitadas aos destinos” concorrentes, mas isso não quer dizer que paguem “para vencer”. E caso os destinos não consigam pagar, “podem ser convidados gratuitamente”.

A organização esclarece ainda que o ranking depende “do número de votos que cada destino recolheu”, não sendo possível pagar para subir na lista. Lejeune garantiu ao Polígrafo que “não há qualquer ligação entre o valor da participação e os resultados”.

Ainda assim, embora seja uma marca registada desde 2015, não há no portal Base qualquer registo de contrato público estabelecido entre o Município do Porto (eleito como “Melhor Destino Europeu em 2017”) ou o Município de Cascais (que obteve o 5.º lugar em 2020) e Lejeune.

Contactada pelo Polígrafo, a Câmara Municipal do Porto garantiu que quando ganhou o título, em 2017, o processo envolveu “apenas o pagamento de um montante de 2.500 euros para avaliação de candidatura e inscrição no concurso”. O mesmo aconteceu em Cascais em 2020.

Por sua vez, a Câmara Municipal de Braga salienta que nunca teve “qualquer hesitação em tornar públicos os termos em que participou” nesta competição, bem como os contratos celebrados “com esta plataforma, o seu proprietário e todos os parceiros e fornecedores”.

Defende ainda que a “campanha nacional e internacional de promoção do destino Braga” foi decidida “à luz” da conquista do título.

Segundo o Público, o retorno após a atribuição do título a Braga superou o investimento: “Só em meios nacionais, este valor ultrapassava já” o total de 1 milhão e 900 mil euros.

ZAP //

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4 COMENTÁRIOS

  1. Qual é a credibilidade do polígrafo ?? se o polígrafo errou quem indemniza ?? O que está em jogo não é Braga mas Portugal inteiro e todo o seu turismo… A ser verdade espero que haja provas concretas e fundamentadas, caso contrario algo tem de ser feito quanto a mania sensacionalista baseada em nada para cativar audiências.

      • Ao criar ou fortalecer a ideia que houve um favorecimento na nomeação de Braga. Não digo que não haja mas é preciso ter cuidado com as insinuações porque como disse anteriormente não é só Braga que fica em causa.

        • Não vi qualquer erro no Poligrafo – tudo o que foi apresenta está factualmente correcto – não vi qualquer insinuação, nem falam em favorecimento:
          “Câmara de Braga pagou 86 mil euros ao presidente da empresa que atribuiu prémio de “Melhor Destino Europeu”?”
          poligrafo.sapo.pt/fact-check/camara-de-braga-pagou-86-mil-euros-ao-presidente-da-empresa-que-atribuiu-premio-de-melhor-destino-europeu

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