Boris Johnson adia próxima etapa de desconfinamento no Reino Unido

Neil Hall / EPA

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, está de volta a Downing Street, depois de ter estado infetado com o novo coronavírus

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, adiou hoje por duas semanas pelo menos, até 15 de agosto, a próxima fase do plano de levantamento das medidas de proteção sanitária contra a covid-19, devido ao aumento de casos.

Antes de ser detetado um aumento dos casos de contágio do novo coronavírus, as medidas incluíam a reabertura já este fim de semana de casinos, pistas de patinagem e “pequenos” banquetes de casamento.

Numa conferência de imprensa com o médico Chris Whitty, assessor do primeiro-ministro, Boris Johnson afirmou que é preciso atuar de imediato, depois de o Gabinete Nacional de Estatística ter detetado um aumento de casos de covid-19 “na comunidade” com a prevalência de 1 contágio para cada 1.500 pessoas.

“É um sinal de alerta” que o Governo “não pode ignorar”, disse o chefe do executivo sublinhando que a covid-19 está a “avançar rapidamente na Ásia e na América Latina”.

“Alguns dos nossos amigos europeus têm dificuldades em controlar (o aumento dos contágios)”, acrescentou.

O primeiro-ministro assinalou que continua em vigor a opção sobre as deslocações para os locais de trabalho “sempre que se cumpram as medidas de segurança” e que as “pessoas vulneráveis” podem sair à rua sem conselho médico.

Johnson indicou que “além de estar em causa” a reabertura de locais de risco, vai ser obrigatório o uso de máscara de proteção sanitária em sítios fechados como museus, cinemas, locais de culto e estabelecimentos comerciais.

O médico Chris Whitty diz que é “incorreto” pensar-se que se pode reabrir a sociedade e manter controlado o vírus admitindo que se chegou “ao limite” do que pode estar a funcionar sem risco de aumentar a prevalência do contágio de forma exponencial.

“O travão” ao plano de desagravamento das medidas, segundo Boris Johnson, foi decidido depois de o Governo ter anunciado através da rede social Twitter a imposição, a partir de hoje, de novas restrições na maior parte das regiões do norte de Inglaterra, que impede visitas a casas particulares.

Em declarações à BBC, o ministro da Saúde, Matt Hancock, defendeu as medidas ao assinalar que, segundo os dados de rastreio dos contágios, a maior parte da transmissão do vírus, mais ativo no território da Inglaterra, acontece em “visitas de familiares e amigos em casas particulares”.

A diretiva significa que os habitantes de cidades como Manchester e a área metropolitana correspondente, assim como os condados de East Lancashire e parte de West Yorkshire não podem encontrar-se em casas uns dos outros, nem mesmo nos jardins.

Nas mesmas zonas não são permitidos grupos em restaurantes ou “pubs”. Hancock reconheceu que a medida afeta a comunidade muçulmana numa altura em que se preparava para as festividades familiares do Eid al-Adha, no próximo fim de semana.

No resto do território da Inglaterra, na Irlanda do Norte, Escócia e País de Gales “há um desconfinamento relativo” mas o ministro da Saúde disse que as autoridades estão alerta sobre a possibilidade de uma “segunda vaga na Europa”.

No Reino Unido, morreram de covid-19 45.999 pessoas até quinta-feira, dia em que foram comunicados 38 óbitos em 24 horas.

O número de contágios foi de 846 novos casos, no mesmo dia, o maior número ocorrido num período de 24 horas durante um mês.

// Lusa

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