Bola de fogo vista na Austrália terá sido uma mini-lua rara (e a Terra destruiu-a)

Bolas de fogo explodem na atmosfera da Terra a toda a hora. Porém, uma bola de fogo que explodiu sobre o deserto da Austrália em 2016 pode ter sido confundido erradamente com um meteoro qualquer.

Graças às câmaras da Desert Fireball Network, os astrónomos conseguiram verificar que a bola de fogo não era uma rocha espacial comum. Em vez disso, os dados de velocidade revelaram que a rocha provavelmente estava em órbita ao redor da Terra antes de atingir de se incendiar: um fenómeno conhecido como um orbitador capturado temporariamente ou, coloquialmente, uma mini-lua.

Com seis câmaras espalhadas por centenas de quilómetros no deserto australiano, a bola de fogo que apareceu no céu em 22 de agosto de 2016 foi observada em grande detalhe. Os investigadores, liderados pelo cientista planetário Patrick Shober da Universidade Curtin, na Austrália, determinaram a velocidade do objeto (11 quilómetros por segundo) e a trajetória (quase vertical).

A velocidade lenta indica, de acordo com o estudo publicado em outubro na revista científica The Astronomical Journal, que o objeto estava a orbitar a Terra e o ângulo exclui detritos de satélite. Com base nos cálculos da equipa, há uma probabilidade de 95% de o objeto ser um orbitador capturado temporariamente.

De acordo com o ScienceAlert, há muitas rochas espaciais que passam pela Terra e algumas penetram mesmo na atmosfera. A maioria acaba num bólido, um meteoro que explode antes de atingir o solo. Porém, por vezes, um desses asteróides é capturado na órbita da Terra durante algum tempo. De acordo com uma simulação de supercomputador publicada em 2012 com 10 milhões de asteróides virtuais, apenas 18 mil foram capturados na órbita da Terra.

Não se sabe exatamente quantos asteróides existem perto da Terra. As estimativas colocam o número na casa dos milhões, mas até 30 de novembro deste ano, foram descobertos apenas 21.495. Isto ocorre porque são pequenos e difíceis de ver.

Já foram detetadas luas temporárias em torno de outros planetas, como Júpiter, mas, na Terra, as deteções de mini-luas são extremamente raras. Antes do bólido de 2016, foram vistas apenas duas mini-luas da Terra: um asteróide chamado 2006 RH120, que orbitou a Terra durante cerca de um ano, entre 2006 e 2007; e um bólido em janeiro de 2014, com velocidade baixa que indica origem orbital.

Apesar de serem raras, as mini-luas são de grande interesse para os astrónomos porque são as rochas espaciais mais próximas da Terra. Agora, a equipa de investigadores diz que ainda há muito trabalho a ser feito.

É possível, por exemplo, estudar as rochas que explodiram para tentar descobrir como e porque é que alguns asteróides são capturados na órbita da Terra. Com mais telescópios a entrar em operação, será possível descobrir mais mini-luas, o que ajudará a construir uma imagem mais completa destes corpos celestes.

ZAP //

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