Thomas Thomopoulos / NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS

Imagem de Júpiter obtida pela sonda Juno, da NASA, em fevereiro de 2022
Evento solar maciço comprimiu o escudo magnético do planeta. Com a ajuda de dados de telescópios e naves espaciais, foi possível observar o fenómeno — que levanta muitas questões sobre os planetas gasosos.
Uma tempestade solar que teve lugar em 2017 criou uma região anormalmente quente na atmosfera superior de Júpiter, que se estende por metade da circunferência do planeta e atinge temperaturas superiores a 500° (a atmosfera normal é 350ºC).
O fenómeno foi observado por uma equipa da Universidade de Reading, através do telescópio Keck com dados da nave espacial Juno da NASA e modelação do vento solar
Agora, um grupo de investigadores mostra que este tipo de fenómeno costuma atingir o planeta de 2 em 2 ou 3 em 3 meses. O estudo, publicado esta quinta feira na Geophysical Research Letters, prova que, afinal, a Bolha de Júpiter não é tão dura como pensávamos.
“O vento solar esmagou o escudo magnético de Júpiter como uma bola de squash gigante. Isto criou uma região super quente que se estende por metade do planeta. O diâmetro de Júpiter é 11 vezes maior do que o da Terra, o que significa que esta região aquecida é enorme”, explica o autor principal, James O’Donoghue, à ScitechDaily.
“Estudámos Júpiter, Saturno e Úrano com cada vez mais detalhe na última década. Estes planetas gigantes não são tão resistentes à influência do Sol como pensávamos — são vulneráveis, como a Terra”, continua.
Explica ainda que “Júpiter funciona como um laboratório, permitindo-nos estudar a forma como o Sol afeta os planetas em geral. Ao observarmos o que acontece lá, podemos prever e compreender melhor os efeitos das tempestades solares que podem perturbar o GPS, as comunicações e as redes elétricas na Terra”.
Isto significa, portanto, que até os planetas que considerávamos mais resistentes (no caso de Júpiter, devido à sua rápida rotação) são afinal vulneráveis a tempestades solares.
De acordo com a SciTechDaily, as explosões solares podem alterar (muito) a dinâmica da atmosfera superior dos grandes planetas. Podem gerar ventos globais que levam à distribuição de energia pelo planeta.
O coautor Mathew Owens realça a importância do estudo. “O nosso modelo de vento solar previu corretamente quando a atmosfera de Júpiter seria perturbada. Isto ajuda-nos a compreender melhor a precisão dos nossos sistemas de previsão, o que é essencial para proteger a Terra de condições meteorológicas espaciais perigosas”.