Benfica vs D. Zagreb | Bombas valem apuramento

José Sena Goulão / Lusa

O Benfica garantiu o apuramento para os quartos-de-final da Liga Europa ao bater o Dínamo Zagreb por 3-0 (após prolongamento).

Mesmo pressionada pela derrota da primeira mão, a equipa “encarnada” entrou em campo apática e sem ideias, acabando por chegar ao tão desejado golo só nos últimos 20 minutos, depois de Bruno Lage já ter feito três substituições.

Os golos que selaram o apuramento surgiram na primeira metade do prolongamento, em remates de meia-distância de Ferro e Grimaldo, mas a estrela da noite foi mesmo Pizzi.

O Jogo explicado em Números

  • Início de partida com ligeiro ascendente por parte do Benfica, a equipa com mais posse de bola (67%-33%) e eficácia de passe (84%-61%) durante os primeiros 15 minutos do desafio. Neste curto espaço de tempo, Vlachodimos nem sequer tocou na bola, mas os sinais não eram animadores para uma equipa obrigada a vencer: as “águias” não somaram nenhuma acção com bola na área contrária e o seu único remate fora quase da linha de meio-campo.
  • Pouca influência das unidades mais ofensivas do Benfica, Jota e Rafa. Aos 30 minutos, os dois atacantes somavam, juntos, um duelo ganho em oito disputados, zero remates e apenas 13 passes no meio-campo adversário.
  • O primeiro remate enquadrado do Benfica surgiu aos 38 minutos por Pizzi, um dos poucos jogadores em evidência na equipa “encarnada” nesta fase. Outro era Gabriel Pires, um verdadeiro “todo-o-terreno” no meio-campo benfiquista, chegando ao intervalo com 61 acções com bola, 50 passes, cinco recuperações de posse, 11 duelos disputado e três faltas sofridas.
  • Primeira parte de sentido único mas que, ainda assim, não correspondia às expectativas dos “encarnados”, que necessitavam de marcar.
  • Apesar de terem estado sempre por cima da partida, o Benfica mostrou enormes dificuldades para chegar junto da baliza croata, acabando por conseguir libertar-se das amarras nos últimos dez minutos, período em que realizou os seus únicos disparos enquadrados.
  • No regresso aos balneários, o destaque ia para Pizzi, que liderava os GoalPoint Ratings com nota 7.1. Para além de ter efectuado um remate à baliza de Livakovic, o camisola 21 “encarnado” tinha ainda dois passes para finalização, três dribles eficazes, cinco recuperações de posse e dois desarmes.
  • Bruno Lage lançou Grimaldo e Jonas ao intervalo e o Benfica “animou”. Nos 15 minutos pós-intervalo, as “águias” tiveram 75% de posse de bola, fizeram três vezes mais passes do que o adversário (137-46) e remataram por três vezes, uma delas à baliza. Ainda assim, na “ânsia” de chegar ao golo que empataria a eliminatória, o Benfica acabou por descurar as tarefas defensivas, permitindo dois disparos ao adversário, ambos enquadrados com a baliza de Vlachodimos.
  • O Benfica acabou por chegar ao tão almejado golo aos 71 minutos, num remate de Jonas à entrada da área após assistência de Pizzi, que levava já quatro passes para finalização. O 1-0 chegou ao quinto remate das “águias na segunda parte (o segundo à baliza), numa altura em que continuavam com números elevados de posse de bola (77%) e de eficácia de passe (86%).
  • Na equipa croata brilhava o lateral-esquerdo Rrahmani, que chegou aos 75 minutos do desafio com oito duelos disputados, todos por si ganhos, 60 acções com bola, cinco desarmes, duas faltas sofridas e três recuperações de bola.
  • O Benfica ainda tentou fechar o jogo no tempo regulamentar, mas sem sucesso. Entre o minuto 80 e o apito do árbitro assistiu-se a apenas um remate, com os níveis de eficácia de passe a caírem significativamente para ambos os lados (80%-65%), sinal do nervosismo que se abatia sobre os jogadores no relvado da Luz.
  • O 2-0 acabou por surgir aos 94 minutos, numa “bomba” de Ferro com o pé direito, aproveitando alguma falta de clarividência por parte da defesa do Dínamo Zagreb. Terceiro golo do jovem central benfiquista, que estivera ainda na origem do primeiro tento, através de uma bola longa para Pizzi.
  • Ainda antes do final do primeiro tempo de compensação chegou o 3-0, por intermédio de Grimaldo, que “imitou” Ferro e bateu Livakovic com um remate absolutamente indefensável. O 3-0 surgiu numa altura em que os “encarnados” já levavam superioridade numérica após a expulsão de Stojanovic por protestos.
  • A segunda metade do prolongamento ficou marcada por uma ocasião flagrante desperdiçada pelo médio Atiemwen que, na cara de Vlachodimos, atirou a bola ao lado. Essa foi a maior ocasião de perigo de que os croatas dispuseram em todo o prolongamento, período em que realizaram apenas um remate à baliza do Benfica.

O Homem do Jogo

A Pizzi só faltou mesmo o golo. O criativo “encarnado” pegou na batuta e assumiu as despesas do ataque benfiquista, criando sete ocasiões de remate, mais quatro do que qualquer outro jogador, e fazendo ele mesmo cinco disparos, três dos quais à baliza.

Terminou o desafio com 97 passes (84 deles eficazes), 132 acções com bola, três dribles eficazes, sete recuperações de bola e uma falta sofrida em zona de perigo.

Embora tenha desperdiçado uma ocasião flagrante, Pizzi fechou a partida com a nota mais alta nos  GoalPoint Ratings, um relevante 9.2.

Jogadores em foco

  • Ferro 7.7 – O jovem central desatou o nó com um disparo “do meio da rua”, no seu segundo remate do desafio. Das suas sete bolas longas, sete foram eficazes e somou dez recuperações de bola e nove acções defensivas. Ainda assim, pecou ao consentir três dribles.
  • Jonas 7.0 – Esteve apenas 75 minutos em campo, mas teve o máximo de remates da noite, nove, quatro deles enquadrados (um para golo). Para além disso, assistiu Grimaldo numa das duas ocasiões de remate que criou.
  • Rrahmani 6.7 – O lateral-esquerdo teve a nota mais alta da sua equipa graças em parte às suas 18 acções defensivas. Venceu ainda os três duelos aéreos defensivos em que participou e criou uma ocasião de remate.
  • Fejsa 5.8 – No regresso à titularidade, o sérvio falhou seis passes em 83, acertando 11 bolas longas em 12 tentativas, e contabilizou 103 acções com bola, 16 recuperações de bola e dez acções defensivas.
  • João Félix 3.2 – O jovem avançado português esteve apenas uma hora em campo, fechando a partida com a nota mais baixa, em parte devido à ocasião flagrante que desperdiçou, num dos três remates que fez, todos eles desenquadrados. Perdeu 12 vezes a posse e não criou nenhuma situação de perigo.

Resumo

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