Bancos gregos encerrados até 6 de Julho

spirosk / Flickr

Os Bancos da Grécia estão encerrados e só abrem no próximo dia 6 de Julho, depois da realização do referendo em que os gregos vão decidir se aceitam ou não as medidas de resgate impostas pela União Europeia. Isto é, no fundo, se querem permanecer ou não na Zona Euro.

Esta medida foi anunciada pelo governo de Atenas num decreto que determina ainda que o levantamento de dinheiro nas caixas Multibanco está limitado aos 60 euros por dia. Uma regra que, contudo, não se aplica aos turistas ou a quem tenha cartões bancários emitidos num país estrangeiro.

O governo grego instituiu também o controlo de capitais e tenta por todas as vias travar o colapso financeiro. Mas os receios de uma tragédia grega continuam.

O primeiro-ministro grego Alex Tsipras procura conseguir mais tempo e enviou uma carta aos seus pares da União Europeia, solicitando-lhes que reconsiderem a decisão de recusa do prolongamento da ajuda à Grécia. O governante quer mais um mês de ajuda externa até que se alcance um entendimento que mantenha os gregos na Zona Euro.

Na carta divulgada pelo jornal Financial Times, que teve acesso à missiva enviada ao primeiro-ministro do Luxemburgo, Bettel Xavier, e que entretanto foi divulgada por vários blogues, Alex Tsipras pede aos governos europeus que “reanalisem a sua posição” e que “apoiem a reconsideração do pedido” da Grécia, no sentido de que a ajuda externa seja prolongada por mais um mês.

“Esta decisão vai contribuir para o nosso objectivo comum de alcançar um acordo mutuamente benéfico que assegure a sustentabilidade financeira e fiscal da dívida e que leve a Grécia de volta ao crescimento no seio da Zona Euro”, escreve ainda Alex Tsipras.

No sábado que passou o Eurogrupo recusou a possibilidade de prolongar a ajuda aos gregos, depois de o governo de Tsipras ter anunciado que vai realizar um referendo, no próximo domingo, 5 de Julho.

O primeiro-ministro grego sublinha na carta que esse referendo é às propostas que os credores querem impor à Grécia e não à permanência na Zona Euro. Mas para alguns as duas temáticas são, no fundo, a mesma coisa.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, já veio dizer que a possibilidade de “um compromisso” foi “quebrada de forma unilateral pela vontade grega de organizar um referendo“, conforme declarações divulgadas pelo jornal francês Le Monde.

Numa conferência de imprensa neste segunda-feira, Juncker disse ainda sentir-se “traído” pelo “egoísmo” da Grécia, lamentando que as propostas gregas chegaram sempre “atrasadas” ou “deliberadamente alteradas”.

Desafiando o governo grego a dizer “a verdade” ao seu povo, Juncker mantém contudo aberta a porta a negociações.

Assim, não se sabe como será aceite esta carta de Alex Tsipras entre os seus pares europeus. Alguns vão revelando desgaste perante a continuidade do impasse e a irredutibilidade grega em recusar as medidas propostas.

O primeiro-ministro grego destaca que é importante que o referendo se realize “num clima calmo e positivo que permita aos gregos tomar uma decisão crucial sem pressão externa”. E, nesse sentido, espera que a ajuda seja prolongada, garantindo que o seu governo “está totalmente comprometido” com a Zona Euro e com a continuidade na mesma.

ZAP

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3 COMENTÁRIOS

  1. Sinceramente! Não é à entrada nem à saída do “recreio” que os representantes do povo grego dignificam os poderes que lhe foram delegados, quanto mais o próprio povo!
    “Para já fincamos os pés e retiramos o ‘nosso’ dos bancos… Qual rotura financeira qual carapuça, os 28 que resolvam o nosso problema”… É de espertos putos no recreio!

  2. Este desfecho é um cenário mau para todos os Europeus mas especialmente dramático para os Gregos. Depois de se terem deixado iludir com promessas e sonhos nas ultimas eleições estão a aprender da pior forma que a soberania grega termina onde começa a soberania dos restantes países europeus.

    Os gregos são livres para decidir aceitar ou não os termos de mais um empréstimo. Os europeus são também livres para decidir recusar emprestar em termos que não acreditem estarem garantidas condições para que no futuro o valor emprestado seja devolvido.

    Por causa dos erros e roubos de políticos do passado de todas as cores e feitios agora somos todos super contribuintes para as finanças locais e sentimos e vemos em todo o lado a dor de viver num país sob austeridade. Por isto mesmo é que percebo que a minha solidariedade com o povo grego não pode ir ao ponto de aceitar que o nosso contributo por mais pequeno que seja, possa ser usado para pagar as reformas gregas quando o governo que eles escolheram não é o primeiro a lutar para uma economia sustentável.

    • No espírito da União, o povo português, já na penúria, meteu lá 1,8 Mil milhões… Aquilo é “democracia” à Bloco de esqª da nova tragédia grega… O povo presta-se!

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