Bancos estão a pedir a contabilistas para fazerem “um jeitinho” e falsificarem declarações

A bastonária da Ordem dos Contabilistas Certificados, Paula Franco, denunciou que contabilistas estão a ser pressionados pela banca a prestar falsas declarações sobre quebras de faturação dos seus clientes de 40% ou mais.

O Jornal de Negócios, que avança a notícia esta sexta-feira, relata que a banca está a pressionar contabilistas a validar falsas declarações. Em causa estão falsas quebras acima dos 40% na faturação dos clientes.

A denúncia pública foi feita por Paula Franco, bastonária da Ordem dos Contabilistas Certificados, numa conferência que a ordem organiza todas as semanas.

“Aquilo que temos conhecimento é que se está a passar algo que consideramos inaceitável, os bancos estarem a pedir aos contabilistas para fazerem “um jeitinho” de passar estas declarações mesmo quando as empresas não apresentam esta quebra de faturação”, disse a responsável.

Segundo Paula Franco, o objetivo para por permitir que as empresas acedam indevidamente à linha de crédito de mil milhões de euros para micro e pequenas empresas, que tem garantias do Estado. Essa adesão exige que tenham sido registadas quebras de faturação de pelo menos 40% entre março e maio.

Em declarações ao mesmo jornal, Paula Franco disse que recebeu mais de 90 queixas e garantiu que tem provas, acrescentando que as vai enviar ao Ministério Público (MP).

A bastonária recordou aos contabilistas certificados que, se chegarem queixas à Ordem, os casos serão levados a conselho disciplinar, “serão consideradas falsas declarações e será considerado um erro grave“.

“Estamos a falar de dinheiros públicos, falsas declarações é crime público“, frisou, acusando os bancos de “falta de ética”. “Dizer que atinge 40% sem ser verdade acho que é gravíssimo, nem vejo como é que tantos colegas estão a cair nesta situação”.

Paula Franco pediu ainda aos contabilistas para fazerem chegar os pedidos dos bancos a “sugerir este tipo de coisas”, que serão dirigidos ao MP.

ZAP ZAP //

 

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5 COMENTÁRIOS

  1. Chegamos a um ponto onde já não é possível confiar em nada nem ninguém, por este caminhar um dia o país vai cair em descrédito total perante a comunidade dos países.

  2. Deveras? Estou atónito!!! A banca é só gente seríssima. Uns mais insonsos, outros mais para o lado do azeite, outros que rendem à custa do pessoal… Enfim: tudo bons rapazes e nada faria supor uma coisa destas…

  3. Silencio e sinonimo de cumplicidade. Honestamente falando em Portugal sempre ouve manipulação, apropriação, e assalto do poder desde a sua fundação. Hoje o que esta passando ‘e reflexo do passado… se formos olhar um pouco para história, a Dinastia explica as mudanças ou as alternâncias sucessivas de poder que fez pais nao ter confiança em si e dos seus, e assaltos, manipulação e assalto ao poder por parte das elites da capital… resto do pais nunca contou para nada so fazem de Figurinos e marionetas.

  4. Ò Paula, falta de ética é um eufemismo muito soft para trafulhice, desonestidade, enfim roubo! Vamos ver o que é que o MP faz a essas provas que lhe vai enviar! Provavelmente, irão para uma qualquer gaveta sem fundo!! Ouvi dizer que a UE iria controlar esse megalómano empréstimo. Irá ou será mais do mesmo. Fartar vilanagem!!!!

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