Avarias no Hospital de São João diminuíram tempo de vida de doentes com cancro

José Coelho / Lusa

Hospital de São João, Porto

As avarias quase diárias dos equipamentos de radioterapia do Centro Hospitalar e Universitário de São João, no Porto, poderão ter aumentando o tempo total de tratamento de pacientes com cancro e comprometido a sua eficácia, diminuindo o tempo de vida dos doentes.

O Hospital de São João admite que se verificou a “redução do controlo local e sobrevida, com claro prejuízo para os doentes”, numa resposta enviada à ERS em dezembro de 2018, na sequência da queixa apresentada por um paciente – que teve de esperar mais de cinco meses e meio para começar um tratamento de radioterapia, prescrito a 24 de abril de 2018 e iniciado a 10 de outubro desse ano. De acordo com a lei, estes tratamentos devem ter início 15 dias depois de terem sido prescritos.

A administração do Hospital de São João refere que tem apenas dois aparelhos disponíveis. Um deles, da marca Varian, tem “20 anos, já descontinuado pela empresa, mas ainda em funcionamento, tratando 60 doentes por dia e que será desativado com a entrada em funcionamento do novo aparelho”. Este novo aparelho já foi comprado, mas não está ainda em funcionamento devido à falta de licenciamento, de acordo com o Público.

O segundo, da marca Siemens, tem 14 anos e tem dado “muitos problemas”, com avarias diárias que afetam os tratamentos e o tempo de vida dos pacientes. “O aparelho Siemens tem sido o aparelho que nos tem dado muitos problemas e, apesar da grande intervenção realizada no início do ano, as avarias mantinham-se quase diariamente, levando ao adiamento de inícios de tratamentos, a interrupções longas de tratamento e consequente redução do controlo local e sobrevida, com claro prejuízo para os doentes.”

O acompanhamento destes pacientes deve ser diário, para evitar o crescimento do tumor e a “constante interrupção do tratamento aumenta o tempo total de tratamento e diminui a sua eficácia”, refere o hospital, no documento a que o Público teve acesso.

As interrupções constantes levaram o hospital a deixar de usar este último aparelho, optando por enviar estes doentes para fora do hospital. “Em face desta realidade, o serviço decidiu não realizar tratamentos com intuito curativo no aparelho Siemens (Primus), tendo dado conhecimento superiormente, sempre que para isso sejam necessárias técnicas complexas, e/ ou utilização de altas energias. Esses doentes estão a ser enviados para o exterior”, lê-se no documento.

A situação arrasta-se desde 2018. “Nos casos em que esse atraso possa comprometer o tratamento dos doentes, estes são enviados para realização do tratamento em prestadores externos, nomeadamente no IPO ou, caso não seja possível, em prestadores privados”, referia o hospital no ano passado.

Em resposta ao hospital, os dirigentes da ERS escreveram que se constata que “a conduta do CHUSJ não se revelou suficiente à garantia dos direitos e interesses legítimos dos utentes, em especial o direito à prestação de cuidados de saúde de qualidade, em tempo útil e adequados à sua situação clínica”.

Não foi também assegurado o “devido acompanhamento do utente”, sendo “forçoso concluir que não é aceitável que, por causa imputável ao CHUSJ, o utente não tenha iniciado o tratamento de radioterapia, no tempo considerado aceitável”.

ZAP //

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