Autoridades britânicas esconderam de Bruxelas dados de 75 mil condenações de estrangeiros

As autoridades britânicas não partilharam os dados de 75 mil condenações aos países da União Europeia (UE) de onde são os criminosos, com receio de  manchar a reputação perante Bruxelas.

Segundo revelou o Guardian, citado pelo Diário de Notícias, durante cinco anos não foram detetados erros informáticos da polícia britânica, período em que um em cada três alertas sobre criminosos – que podiam incluir assassinos e violadores – não foi enviado para os países da União Europeia (UE).

De acordo com o jornal britânico, os países não foram informados dos crimes cometidos, das sentenças ou dos riscos que os criminosos representavam para a sociedade. A falha de informação permitiu que os criminosos, condenados no Reino Unido, pudessem viajar até aos seus países de origem sem que as autoridades nacionais fossem notificadas.

Quando o Ministério do Interior britânico detetou o erro, continuou o Guardian, optou por esconder de Bruxelas, receando a possibilidade de dificultar a relação entre Londres e a UE.

O jornal britânico teve acesso à ata da reunião da unidade da polícia britânica sobre registos criminais, realizada em maio de 2019, na qual era referido que existia “um nervosismo do Ministério do Interior ao enviar as notificações desde 2012 devido ao impacto na reputação que isto poderia ter”.

Numa reunião realizada em junho do mesmo ano, ainda não se sabia se os registos criminais recebidos do Ministério do Interior iriam ser partilhados com os estados da UE, uma vez que “havia um risco reputacional para o Reino Unido”.

Esta falha surge com a aproximação da data para a saída do Reino Unido da UE e das negociações pós-Brexit sobre a futura relação entre Londres e Bruxelas. Com a saída, e após o fim do período de transição, o Reino Unido deixará de ser membro da Europol e a sua polícia e serviços de segurança deixarão de ter acesso às bases de dados da UE.

“Esta falha de não alertar as autoridades sobre criminosos e o encobrimento posterior lançam sérias dúvidas sobre o Reino Unido como um parceiro confiável”, afirmou ao Guardian a eurodeputada holandesa Sophia in’t Veld.

E frisou: “O objetivo da troca de informações é aumentar a segurança. Se um lado falha, os ganhos de segurança são zero e a cooperação não faz sentido. O governo do Reino Unido deve considerar com muito cuidado como pretende restaurar a confiança, tendo em vista que as negociações devem ser concluídas até o outono deste ano”.

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