Austrália. Centenas de aborígenes da “geração roubada” vão processar Governo

Centenas de aborígenes da “geração roubada” da Austrália, crianças tiradas à força das suas famílias em nome da assimilação à sociedade australiana, vão processar o Governo para exigir compensação pelos danos sofridos, disse esta quarta-feira um advogado.

Tristan Gaven, do escritório de advocacia Shine Lawyers, anunciou esta quarta-feira que iniciou uma ação coletiva em nome de cerca de 800 pessoas do Território do Norte, acreditando que outros milhares teriam legitimidade para se juntar nesta luta, noticiou a agência Lusa.

Noutros Estados australianos foram implementados mecanismos de compensação, mas o Governo Federal, que administrava o Território do Norte na época em que os sequestros ocorreram, nunca fez o mesmo. “[O Governo Federal] é o responsável por separar famílias aborígenes no Território e cabe a este tomar uma medida honrosa”, disse Gaven.

O termo “geração roubada” refere-se a milhares de crianças aborígenes retiradas à força dos seus familiares, de 1910 até a década de 1970, para serem colocadas em instituições ou famílias brancas para fins de assimilação. Muitos deles nunca mais viram os seus pais ou irmãos novamente.

Esta é a primeira ação coletiva desse tipo no Território do Norte, onde vivem 250.000 pessoas, um terço das quais são aborígenes.

Heather Alley, de 84 anos, tinha nove anos quando foi tirada de sua mãe. A mulher diz que esse trauma a perseguiu por muitos anos. “Eles exterminaram gerações inteiras. Foi como se nunca tivessem existido”, declarou. “Estou a participar nesta ação porque acredito que nossa história precisa ser contada”, contou ainda.

Em 1997, um relatório intitulado “Take Them Home” e resultante de um inquérito nacional, reconheceu que os direitos dessas crianças foram violados e apelou a uma série de medidas de apoio. Uma das propostas principais neste relatório – que a Austrália fizesse um pedido de desculpas nacional – foi realizada em 2008.

Mas, um quarto de século depois, as vítimas denunciam o racismo institucional ainda existente e o fracasso das autoridades em abordar os problemas de saúde mental das pessoas afetadas.

Não há dados precisos sobre o número de pessoas afetadas. O relatório de 1997 estimou que pelo menos um em cada 10 aborígenes do Estreito de Torres foram retirados das suas famílias. Os aborígenes do Estreito de Torres vivem na Austrália há mais de 40.000 anos e constituem a população mais pobre e marginalizada do país.

Quando os colonos europeus chegaram à Austrália em 1788, os aborígenes eram cerca de um milhão. Agora, representam apenas 3% dos 25 milhões de australianos.

// Lusa

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