Astrónomos detetaram o oxigénio mais antigo do Universo

Uma equipa internacional de astrónomos detetou a mais antiga emissão de oxigénio no Universo, a partir da observação de uma galáxia distante com concentrações abundantes de poeira cósmica, revelou esta quarta-feira o Observatório Europeu do Sul (OES).

A poeira cósmica (pequenas partículas de matéria formadas a partir da morte de gerações de estrelas mais antigas) é a base para a constituição de novas estrelas, dos planetas e das moléculas complexas, incluindo das que dão origem à vida. Atualmente abundante, a poeira interestelar era, no entanto, escassa nos primórdios do Universo, antes de as primeiras gerações de estrelas morrerem.

A equipa de astrónomos, liderada por Nicolas Laporte, da University College London, no Reino Unido, usou o maior radiotelescópio do mundo, o ALMA, e observou a emissão de oxigénio ionizado pela galáxia “A2744_YD4”.

Para os investigadores, trata-se da deteção mais distante, logo mais antiga, de oxigénio no Universo, de acordo com um comunicado do OES, organização astronómica da qual Portugal faz parte e que gere o ALMA.

A “A2744_YD4” é a galáxia mais distante e jovem captada pelo ALMA, quando o Universo tinha 600 milhões de anos e as primeiras estrelas e galáxias estavam a formar-se.

Segundo o grupo de astrónomos, a deteção de muita poeira interestelar na “A2744_YD4” indicia que supernovas (explosões de estrelas moribundas) mais antigas “devem ter contaminado esta galáxia”.

Para os cientistas, a observação de poeira cósmica no Universo primitivo fornece nova informação sobre o momento em que ocorreram as primeiras explosões estelares e as estrelas quentes, as brilhantes, tiraram o Universo das trevas.

A determinação do tempo da ‘aurora cósmica’ é vista como um ‘Santo Graal’ para a astronomia moderna e pode ser procurada indiretamente através do estudo da poeira interestelar (composta essencialmente por silício, carbono e alumínio) mais antigo.

As observações da “A2744_YD4” com o ALMA foram possíveis porque a galáxia está por detrás do aglomerado de galáxias “Abell 2744”, que atuou como um ‘telescópio cósmico gigante’, ampliando a “A2744_YD4”, um fenómeno chamado lente gravitacional (formada devido a uma distorção no espaço-tempo, causada por um corpo de grande massa entre uma estrela e um observador).

Os astrónomos estimam que a galáxia “A2744_YD4” tenha uma quantidade de poeira cósmica equivalente a seis mil milhões de massas solares e uma massa estelar de dois mil milhões de massas solares.

A equipa descobriu que estão a formar-se estrelas na galáxia a uma média de 20 massas solares por ano (na Via Láctea, a média é de uma massa solar por ano), o que pode explicar por que a poeira cósmica se formou tão rapidamente na “A2744_YD4”.

// Lusa

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