As mulheres pré-históricas trabalhavam tanto que eram mais fortes que atletas olímpicas

Jean-Pierre Dalbéra from Paris / Wikimedia

Os ossos dos braços das mulheres de há 7 mil anos eram 11% a 16% mais fortes que os das remadoras de Cambridge

Um novo estudo da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, revela que as mulheres pré-históricas tinham braços mais fortes do que até mesmo os das campeãs de remo dos dias de hoje.

A principal hipótese para explicar tamanha força nos ossos é que fosse resultado do trabalho de moer grãos durante muitas horas a fio, todos os dias – tarefas que na altura as mulheres se encarregavam de realizar.

O estudo analisa registos do trabalho manual extenuante realizado pelas mulheres ao longo de milénios. Segundo os cientistas, as exigências físicas para as mulheres pré-históricas poderão ter sido subestimadas no passado: tudo indica que o seu trabalho era um factor crucial nas primeiras economias agrícolas da história da Humanidade.

“Este é o primeiro estudo que compara realmente ossos de mulheres pré-históricas com as dos tempos actuais”, afirma Alison Macintosh, uma das autoras da pesquisa.

Para a cientista, ao analisar os ossos das mulheres num contexto específico é possível observar como certos comportamentos eram intensivos e laboriosos, “o que sugere uma história escondida do trabalho feminino durante milhares de anos“.

Para ter uma base de comparação, os investigadores usaram scanners para analisar ossos dos braços (úmero) e pernas (tíbia) de diferentes tipos de mulheres, do período pré-histórico aos dias de hoje.

Foram avaliadas, por exemplo, amostras de atletas profissionais e semi-profissionais que correm, remam e jogam futebol, além de mulheres mais sedentárias. As remadoras analisadas, do tradicional clube de remo da Universidade de Cambridge, venceram o ano passado a histórica regata contra Oxford. Elas remam mais de 100 km por semana.

Segundo a análise, a estrutura óssea das atletas é semelhante à de mulheres que viveram no período que vai do início da era neolítica, época em que surgiu a pedra polida, até às comunidades agrícolas da Idade Média.

A estrutura das mulheres do período neolítico, que viveram há cerca de 7 mil anos atrás, apresentava ossos das pernas similares aos das mulheres de hoje. Mas os ossos dos braços eram de 11% a 16% mais fortes do que os das remadoras de Cambridge.

A análise mostra que até à Idade do Bronze, que começou no Médio Oriente cerca de 3.300 a.C., os braços das mulheres eram mais fortes que os das actuais atletas de elite do remo.

Pedras para moer grãos

Os investigadores acreditam que as mulheres pré-históricas devem ter usado pedras para moer grãos. Essa actividade, que se resume a uma sequência repetitiva de movimentos circulares, assemelha-se ao movimento que as remadores fazem.

Segundo os cientistas, antes da invenção do arado, a actividade agrícola implicava plantar, cultivar e colher manualmente todas as lavouras, e eram as mulheres que, provavelmente, realizavam muitas dessas tarefas.

“Provavelmente, também eram as mulheres que davam comida e água ao gado doméstico, tiravam o leite e preparavam a carne, além de converterem peles e lã em tecido”, observa Macintosh.

As principais conclusões do estudo, que foi publicado esta quarta-feira na revista Science Advances, sugerem assim que o trabalho das mulheres foi essencial para o surgimento da agricultura.

Segundo Jay Stock, um dos autores do estudo e líder do projeto ADaPt, que reconstitui em vídeo os métodos e processos de trabalho do passado, os resultados indicam que as primeiras economias agrícolas recorriam a rigoroso trabalho manual das mulheres.

“Este estudo mostra o que podemos aprender sobre o passado através de uma melhor compreensão das mudanças nos humanos de hoje”, diz Stock. E provavelmente, também compreender os dias de hoje olhando para o que acontecia no passado.

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