As eleições foram repetidas em Istambul. Erdogan voltou a perder (e por mais)

Daniel Kopatsch / EPA

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan

O candidato da oposição Ekrem Imamoglu ganhou hoje de novo as eleições municipais em Istambul, após a anulação de uma primeira votação, infligindo ao presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, o pior revés eleitoral em 17 anos.

Segundo resultados preliminares divulgados pela agência Anadolu, quando estão contados cerca de 99% dos votos, Ekrem Imamoglu obteve 54,03% dos votos contra 45,09% do candidato apoiado por Erdogan, o antigo primeiro-ministro Binali Yildirim.

Estas eleições decorreram quase três meses após as municipais de 31 de março, ganhas também por Imamoglu, mas por apenas 13.000 votos, quando hoje terá obtido uma vantagem de 777 mil votos em relação ao seu rival.

O resultado das eleições de março foi invalidado depois de um recurso do partido islamo-conservador do presidente, AKP, que alegou irregularidades. O partido de Erdogan conseguiu na altura anular as eleições alegando que haviam participado pessoas que tinham sido banidas de o fazer e que milhares de nomes haviam sido retirados ilegalmente.

Erdogan já felicitou o candidato da oposição, assinalando que aceita o resultado das eleições. “Felicito Ekrem Imamoglu, que ganhou as eleições, de acordo com resultados não oficiais”, afirmou Erdogan numa mensagem na rede social ‘Twitter’, horas após a divulgação dos resultados que apontavam o candidato da oposição como vencedor.

Antes desta mensagem, Binali Yildirim já tinha reconhecido publicamente a derrota nas urnas e também felicitou o seu adversário. Por sua vez, Imamoglu considerou que a vitória marca “um novo começo para a Turquia” e convidou Erdogan “a trabalhar em conjunto para servir Istambul”.

“Agora temos que abrir uma nova página em Istambul, todos juntos, com justiça, tolerância e igualdade. Quero esquecer os ataques e a linguagem agressiva usada contra mim e contra a minha família”, afirmou, acrescentando que está disposto “a trabalhar em sintonia” com Erdogan.

Estas eleições locais e municipais foram as primeiras desde que Erdogan assumiu poderes extraordinários como Presidente, com a nova Constituição, no ano passado – desapareceu a figura do primeiro-ministro e todo o poder é agora do chefe de Estado.

Por esse motivo, estas eleições eram consideradas um barómetro do apoio ao Governo. Cerca de 57 milhões de eleitores turcos foram chamados a votar em mil presidentes de câmara e 30 presidentes de outras tantas áreas metropolitanas.

// Lusa

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2 COMENTÁRIOS

  1. Bom dia.
    Cerca d e9% de diferença não se pode considerar esmagador mesmo considerando a “limpeza” de pessoas e registos eleitorais. Os 45% de apoiantes é preocupante.
    Saber os resultados nacionais também será interessante.
    Espero a actualização desta ou o surgimento de outra notícia com esses dados.

    De qualquer modo pouca coisa muda de fundo. Como se noticia “todo o poder é agora do chefe de Estado”.
    Cumprimentos

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