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“Mentiras vendidas por dinheiro”. Artistas abandonam Spotify por desinformação sobre covid-19

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Watt Casey / Istagram @jonimitchell

Joni Mitchell

A cantora Joni Mitchell em 1976.

A cantora e compositora Joni Mitchell anunciou que vai seguir os passos de Neil Young e retirar a sua música da plataforma Spotify em protesto contra um ‘podcast’ popular acusado desinformação sobre a covid-19.

Joni Mitchell, uma importante voz popular e vencedora de oito prémios Grammy, expressou o seu apoio aos quase 300 cientistas que alertaram o Spotify há algumas semanas de que estava a permitir a transmissão de mensagens que “prejudicam a confiança” na investigação médica.

“Decidi retirar toda a minha música do Spotify. As pessoas irresponsáveis estão a espalhar mentiras que estão a custar a vida das pessoas. Estou solidária com Neil Young e com a comunidade científica e médica global”, disse a cantora e compositora canadiana numa nota no seu site oficial.

A decisão de Joni Mitchell de retirar o seu catálogo musical da principal plataforma de música de ‘streaming’ surgiu no dia em que a artista deveria ter recebido o prémio Grammy Personalidade do Ano, numa cerimónia que foi adiada até Abril devido à pandemia do novo coronavírus.

A cantora é uma figura proeminente na música popular graças a álbuns como “Court and Spark” (1974), “The Hissing of Summer Lawns” (1975) e, sobretudo, “Blue” (1971), que aparece normalmente entre os melhores álbuns da história.

Neil Young denuncia “mentiras vendidas por dinheiro”

Na quarta-feira, Neil Young – um amigo de Joni Mitchell – também retirou a sua música do Spotify pela mesma razão.

“O Spotify tornou-se o lar da perigosa desinformação sobre a covid. Mentiras vendidas por dinheiro”, denunciou Young, encorajando outros músicos a distanciarem-se da plataforma.

Antes, o autor de “Harvest” tinha feito um ultimato, exigindo a remoção da sua música se o Spotify continuasse a disponibilizar “The Joe Rogan Experience”, que é considerado o ‘podcast’ mais popular nos Estados Unidos.

O ‘podcast’ “The Joe Rogan Experience” é oferecido exclusivamente na plataforma. O Spotify assinou com o comediante e actor Joe Rogan, em 2020, um contrato de 100 milhões de dólares (cerca de 90 milhões de euros).

Mas o ‘podcast’ de Rogan tem sido repetidamente criticado por promover teorias de conspiração sobre o novo coronavírus e encorajar a não-vacinação.

Uma carta assinada por 270 médicos e cientistas norte-americanos advertiu o Spotify, há algumas semanas, de que a plataforma estava a permitir a divulgação de mensagens que prejudicam a confiança do público na investigação científica e nas recomendações de saúde.

A empresa afirmou ter a responsabilidade de encontrar um equilíbrio entre “a segurança dos ouvintes e a liberdade dos criadores” e recordou que, desde o início da pandemia, removeu mais de 20.000 episódios de ‘podcasts’ relacionados com a covid-19, em conformidade com as suas normas de conteúdo.

  ZAP // Lusa

 

9 Comments

  1. Isto de artistas se tornarem activistas covidianos é engraçado. Deixam de ter graça quando se tornam canceladores. Joe Rogan é um brilhante entrevistador. Além disso, sabe escolher excelentes entrevistados. Pessoas de opiniões variadas, e não com a “opinião correta” como pequenos tiranetes como Neil Young admitem. Good ridance, Neil & Cia!

      • Pelo contrário, a ciência é um exemplo de democracia, é feita de dúvida, debate, discórdia e aceitação da maioria.
        Apenas durante o período de covid se assistiu ao milagre de que todos os cientistas estavam de acordo, os que não estavam eram ignorados, e se não os conseguissem ignorar, então eram denegridos e a usados se negacionistas.

        De uma forma geral, a única coisa que não existe em ciência são certezas.

        • Não, não é!
          Estás a cair no erro típico de confundir ciência com cientistas…
          A ciência é feita de dúvida, debate, discórdia mas NÃO depende da aceitação de ninguém (sejam muitos ou poucos) e portanto não é “democratica”!
          O número e a opinião dos cientistas são completamente irrelevantes para a ciência – o resultado não muda conforme a vontade ou quantidade do “freguês”.
          Qualquer cientista que seja denegrido tem bom remédio; usa a ciência para demonstrar que tem razão – mandar bitaites no Facebook é o contrário da ciência…

          Certezas, só nas religiões/crenças.
          A ciência é assim: algo só é definitivo até à própria ciência nos mostrar o contrário!

  2. Risos e comédia.
    O Neil Young fez um ultimato, “eu ou o Joe” e a Spotify fez-lhe o favor de o retirar do Spotify.
    Um cantor contra-cultura a ser pro-governo, uma antítese paradoxal deliciosa.

    Quem é contra a liberdade de expressão deveria ser expulso. Ponto.

  3. O “Nome” (deveria indicar seu nome, coragem) deve saber que liberdade de expressão exige responsabilidade, sobretudo quando se trata de vidas. Liberdade de expressão não pode promover mais mortes. Ninguém tem liberdade de expressão para gritar “fogo” dentro de um avião, ou para promover necropolíica. Seja minimamente ético-moral.

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