“Sexista”. Artigo de opinião sobre Jill Biden gera onda de indignação

Ralph Alswang / Office of the Vice President of the United States / Wikimedia

Jill Biden, a próxima primeira-dama dos Estados Unidos

Um artigo de opinião publicado pelo jornal The Wall Street Journal defende que a próxima primeira-dama dos Estados Unidos deve abdicar do título de “doutora” por não ser médica.

No artigo de opinião, o ensaísta Joseph Epstein defende que a próxima primeira-dama dos Estados Unidos deve parar de se chamar “Dra. Jill Biden”, uma vez que, a menos que se seja médico, não há razão para preceder o nome com o título de “doutor”.

A mulher do Presidente eleito é doutorada em Ciências da Educação. “Nas ciências sociais, chamar-se doutor é considerado mesquinho”, insistiu Epstein, garantindo que este título de doutora “soa falso” e “um pouco cómico”.



Jill Biden concluiu o seu doutoramento na Universidade de Delaware em 2007, numa época em que, de acordo com Epstein, o prestígio dos doutorados foi “diminuído pela erosão da seriedade e pelo relaxamento dos padrões no Ensino Universitário”.

A opinião do ensaísta desencadeou imediatamente uma onda de protesto, tendo sido considerado “sexista” por várias personalidades democratas. Aliás, o artigo gerou reações tão indignadas que o responsável pelas páginas de Opinião do diário norte-americano, Paul Gigot, teve de defender a sua escolha editorial.

O responsável afirmou que a pergunta de Epstein merecia ser feita, que o próprio jornal reservava o termo “doutor” para os médicos e denunciou uma “campanha política” liderada pela “Equipa Biden”.

No domingo, a futura primeira-dama escreveu o seguinte na sua conta do Twitter: “Juntos, construiremos um mundo onde os sucessos das nossas filhas serão saudados em vez de denegridos”.

Entre as vozes que saíram em defesa de Jill Biden estão as antigas primeiras-damas Hillary Clinton e Michelle Obama. “O nome dela é Doutora Jill Biden. Acostume-se”, escreveu na mesma rede social a antiga Secretária de Estado e antiga candidata à Casa Branca.

Já Michelle Obama viu o texto de Epstein como uma ilustração do tratamento desfavorável sofrido por mulheres profissionalmente bem-sucedidas.

“Durante oito anos, vi a Dra. Jill Biden fazer o que muitas mulheres profissionais fazem – administrar com sucesso mais do que uma responsabilidade ao mesmo tempo, desde os seus deveres de professora às suas obrigações oficiais na Casa Branca, passando pelos seus papéis como mãe, mulher e amiga”, escreveu no Instagram.

“E agora, todos estamos a ver o que também acontece com tantas outras mulheres profissionais, sejam os seus títulos de Dra., Sra., ou mesmo Primeira-Dama: Muitas vezes, os nossos sucessos despertam ceticismo, e até mesmo escárnio”, continuou.

“Somos questionados por aqueles que preferem a fraqueza do ridículo à força do respeito. E ainda assim, de alguma forma, as suas palavras podem permanecer – depois de décadas de trabalho, somos forçadas a provar o nosso valor mais do que uma vez.”

“É mesmo este o exemplo que queremos passar à próxima geração?”, questiona a antiga primeira-dama, considerando depois que a “Dra. Biden vai dar-nos um exemplo melhor”.

“E é por isso que sinto com tanta força que não poderíamos ter pedido uma primeira-dama melhor. Será um excelente modelo não apenas para as jovens raparigas, mas para todos nós, exibindo as suas realizações com graça, bom humor e, sim, orgulho. Estou emocionada por saber que o mundo verá aquilo que eu conheci – uma mulher brilhante que se destacou na sua profissão e com a vida que vive todos os dias, sempre à procura de elevar os outros, em vez de destruí-los”, concluiu.

Doug Emhoff, marido da vice-Presidente eleita Kamala Harris, que também é professor universitário, também criticou o artigo do Wall Street Journal no Twitter. “A Dra. Biden obteve a licenciatura graças ao trabalho árduo e à sua determinação absoluta. (…) Este artigo nunca teria sido escrito sobre um homem”.

Jill Biden dá aulas de Inglês numa Universidade da Virgínia do Norte, onde trabalha há mais de uma década. Em novembro, o seu porta-voz anunciou que a futura primeira-dama quer continuar a trabalhar como docente, ao mesmo tempo que cumpre as suas funções na Casa Branca.

Se esta intenção se concretizar, esta será a primeira vez na história dos Estados Unidos que uma primeira-dama, para além das funções em Washington, vai manter o emprego.

Filipa Mesquita, ZAP // Lusa

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