Aquele “musgo” que vê nas águas paradas pode ser a comida e combustível do futuro

Nyttend/Wikimedia Commons

A lentilha-de-pato

É uma minúscula planta aquática que sempre foi praticamente ignorada, mas está a ganhar a atenção dos especialistas em ambiente e agricultura pelo seu potencial de aplicação em sistemas alimentares sustentáveis, energias renováveis e mitigação das alterações climáticas.

Os segredos genéticos da lentilha-d’água foram recentemente revelados por investigadores do Cold Spring Harbor Laboratory (CSHL), que sequenciaram os genomas de cinco espécies de lentilhas e notaram uma grande versatilidade e adaptabilidade.

A lentilha-de-pato, por exemplo, prospera em diversos ambientes aquáticos, apesar da sua forma sem raízes. Só precisa de luz solar e dióxido de carbono para florescer.

Os cientistas criaram um catálogo de genes altamente preciso que identifica as principais caraterísticas exclusivas da planta. Nomeadamente, os estomas abertos da planta — poros microscópicos utilizados para a troca de gases — tornam-na altamente eficiente na captura de carbono, uma caraterística forte para as tecnologias de captura de carbono. E a ausência de raízes nalgumas espécies aumenta a sua capacidade de crescer em vários ecossistemas aquáticos com um contributo mínimo.

“A utilização de tecnologia de ponta permitiu-nos fazer um catálogo de genes extremamente preciso. Podíamos dizer exatamente quais os genes que estavam lá e quais os que não estavam. Muitos dos genes em falta são responsáveis por caraterísticas da planta – estomas abertos ou a ausência de raízes. Conseguimos identificar os genes responsáveis por cada caraterística”, explicou o investigador Evan Ernst, que estuda a lentilha-d’água há mais de 15 anos, ao SciTechDaily.

A simples planta pode também vir a ser explorada como recurso alimentar e biocombustível. Algumas espécies são ricas em proteínas e podem servir de alimento para animais, enquanto outras acumulam amido adequado para a produção de bioetanol.

Os dados genéticos sugerem que estas plantas começaram a diversificar-se há cerca de 59 milhões de anos, durante um período de grandes alterações climáticas globais.

ZAP //

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