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Antigo jornalista chinês detido por “difamar mártires” da Guerra da Coreia

AFP

A China aprovou uma lei em 2018 proibindo a difamação de “heróis e mártires”, bem como a “distorção ou menosprezo” dos seus feitos

O antigo jornalista chinês Luo Changping foi detido por “violar a reputação e a honra dos mártires nacionais” na sequência das suas críticas aos soldados que morreram numa batalha da Guerra da Coreia.

Luo, de 40 anos, foi detido na província meridional de Hainan, cujas autoridades disseram que as suas “declarações ilegais” eram uma “influência negativa”.

Embora o seu relato sobre o sucedido no Weibo – o equivalente chinês do Twitter, que é censurado na China – tenha sido entretanto suspenso, os meios de comunicações internacionais relatam que Luo alegadamente questionou a justificação legal para a intervenção da China para ajudar as tropas norte-coreanas na sua invasão da Coreia do Sul, que, por sua vez, foi ajudada pelos Estados Unidos.

O jornal “South China Morning Post” relata que Luo também chamou “estúpidos” aos soldados que morreram nas temperaturas geladas da batalha de Chosin – conhecida em chinês como Lago Changjin – entre finais de novembro e meados de dezembro de 1950, que terminou numa vitória para as tropas chinesas.

A China aprovou uma lei em 2018 proibindo a difamação de “heróis e mártires”, bem como a “distorção ou menosprezo” dos seus feitos, e em fevereiro acrescentou o crime de difamação de mártires ao Código Penal.

Luo Changping, que já não trabalha na imprensa, ficou conhecido no jornalismo de investigação depois de ter descoberto em 2012 um caso de corrupção em que o número dois da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC, o principal órgão de planeamento económico da China), Luo Tienan, acabou por ser condenado a prisão perpétua.

  // Lusa

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