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Anta do neolítico foi destruída para plantar amendoal

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Uma anta do neolítico em Torre de Coelheiros, Évora, foi intencionalmente destruída pelos proprietários com o objetivo de plantar um amendoal nessa área.

Ana Paula Amendoeira, diretora Regional de Cultura do Alentejo (DRCAlen), denunciou a destruição de uma anta do neolítico em Évora com a intenção de ocupar essa área, na Herdade Vale da Moura, em Torre de Coelheiros, com um amendoal em regime intensivo.

Em declarações ao jornal Público, a diretora da DRCAlen defende que esta iniciativa exige “acompanhamento arqueológico e a prévia caracterização e averiguação do estado de conservação em que se encontram os sítios arqueológicos”. Ana Paula Amendoeira argumenta que houve um “incumprimento das medidas de salvaguarda do património arqueológico”.

A Sociedade Agrícola M. Amêndoas, Unipessoal Lda., proprietária do terreno, foi informada previamente que o sítio arqueológico estava salvaguardado no Plano Diretor Municipal de Évora, onde a “anta da Herdade do Vale da Moura 1 está incluída na categoria de valor A1”.

De acordo com a DRCAlen, isto significa que “qualquer tipo de obras ou de intervenções no subsolo em áreas que possam afetar ou colidir com sítios ou estruturas arqueológicas são precedidas de avaliação prévia de eventuais impactes sobre os vestígios de natureza arqueológica inventariados”.

O aviso não foi suficiente para evitar a destruição da anta. Para remediar a situação, os técnico da DRCAlen dirigiram-se ao local para informar que teriam de ser tomadas medidas consequentes de diagnóstico e minimização dos impactos arqueológicos. Além disso, estão a ser tomadas as devidas diligências para apurar outras “eventuais afetações patrimoniais”.

Ana Paula Amendoeira explica o monumento megalítico foi irremediavelmente danificado. “A anta, que se encontrava bem visível no terreno, era formada por oito esteios e pelo chapéu, tombado sobre os vestígios remanescentes da mamoa do monumento funerário. Toda a área foi profundamente ripada e observa-se claramente a tentativa de remoção do monumento megalítico, remexendo toda a área interior do monumento e deslocando os seus esteios e o chapéu”, disse, em declarações ao Público.

Eduardo Luciano, vereador com o pelouro da Cultura na Câmara de Évora, salienta o “desrespeito” da sociedade proprietária do terreno e garante que os autores do crime patrimonial vão ser responsabilizados.

  ZAP //

7 Comments

  1. Qual prisão, isso não resolve nada. É preciso é uma pesadíssima multa, para que todo o lucro da porcaria das amêndoas vá para pagar a recuperação (possível) do monumento. Aliás, o amendoal era todo deitado abaixo. Ficava a pagar a multa e sem amendoal. Se o gajo vai preso, a família continua alegremente a lucrar com o amendoal.

    Acho estranho é a Ana Paula Amendoeira ser contra os amendoais… (estou feito um cómico)

  2. Entre estes que destruíram e aqueles que têm a seu cargo centenas de monumentos ao abandono e por vezes “reparados” com materiais modernos, não sei qual o mais criminoso! Possivelmente se aquele local estivesse devidamente assinalado como local a preservar, certamente não teria havido tal abuso, mas falo do local apenas e não de uma herdade inteira só porque lá existe 40 ou 50 metros quadrados com um monumento antigo.

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