Z. Levay and R. van der Marel, STScI; T. Hallas; and A. Mellinger / NASA, ESA

Astrónomos acabam de resolver um misterioso assassinato galáctico: a Andrómeda matou uma galáxia e os investigadores encontraram o cadáver.
Um artigo científico publicado esta segunda-feira na Nature Astronomy reflete um cuidadoso trabalho de investigação em torno de um misterioso rasto de estrelas, de um corpo galáctico encolhido e de um fraco halo de restos estelares em volta da Andrómeda, a galáxia mais próximo de nós.
Após a análise dos dados recolhidos, os investigadores envolvidos no estudo concluíram que, há cerca de 2 mil milhões de anos atrás, havia uma terceira grande galáxia na nossa vizinhança – uma irmã mais nova da Via Láctea.
Mas Andrómeda matou-a, devorou-a e livrou-se do seu cadáver.
As galáxias massivas como Andrómeda, graças à sua enorme massa e força gravitacional, atraem naturalmente galáxias mais pequenas que sejam apanhadas nas suas redondezas. E há muito tempo que os cientistas suspeitavam que Andrómeda poderia ter passado por uma fusão no passado.
No entanto, Amanda Moffett, astrónoma e especialista em evolução galáctica da Universidade Vanderbilt, que não participou no estudo, destaca que a novidade desta investigação mora na ideia apresentada teórica de que a M32, uma pequena galáxia anã na órbita de Andrómeda, é, na verdade, o cadáver da galáxia muito maior destruída durante aquela fusão.
Mas o que aconteceu ao progenitor real, isto é, à galáxia destruída? Para responder a esta questão, os cientistas realizaram algumas simulações de interação entre galáxias e descobriram que uma fusão de galáxias há 2 mil milhões de anos poderia produzir as pistas que vivem agora em redor de Andrómeda.
Um longo fluxo de estrelas, uma névoa espessa de estrelas soltas e o núcleo daquela galáxia perdida ainda flutuam nas proximidades de Andrómeda, na forma de M32 – o que explica o facto de M32 ser uma galáxia bastante incomum.
Galáxias anãs como M32 são compostas por estrelas que se formaram todas ao mesmo tempo e do mesmo pequeno aglomerado de material. Galáxias maiores como a Via Láctea e a Andrómeda tendem a ter estrelas com uma faixa muito maior de idades. No entanto, a peculiaridade de M32 é que as suas estrelas são como as estrelas de uma galáxia maior.
Em suma, o estudo resolve dois enigmas de uma só vez: o que aconteceu com a vítima de assassinato de Andrómeda, e por que o M32 é tão particular.
No entanto, há uma questão que continua no ar. Andrómeda tem outro vizinho anão, conhecido como M33, que é quase tão grande quanto o M32. Apesar de o artigo explicar a origem de M32, o mesmo não acontece com o misterioso M33.
ZAP // LiveScience
Eu também já comia qualquer coisa…