Na Guiné, o ananás é agora a mascote da esperança

Na Guiné, o ananás é agora a mascote da esperança. Os jovens que antes fugiam rumo à Europa em busca de uma vida melhor, viram agora as suas atenções para a área da agricultura.

Em setembro de 2017, Diadie Aboubacar decidiu embarcar numa nova aventura, em busca de uma vida melhor. Por isso, entrou num barco com o objetivo de rumar até à Europa, através do norte da África. Mas nem tudo correu bem.

A embarcação foi intercetada por um gangue de piratas nigerianos, guineenses e senegaleses que venderam Aboubacar e outro migrantes a comerciantes de escravos.

Prometi voltar para casa se sobrevivesse“, lembra o jovem de apenas 28 anos. Aboubacar sobreviveu, graças a uma intervenção de funcionários da Organização Internacional para as Migrações numa prisão na Líbia, onde se encontrava. Hoje, o jovem administra a sua própria plantação de ananases, nos arredores Kindia, a quarta maior cidade da Guiné.

Aboubacar faz parte de um número crescente de guineenses que fazem um esforço ambicioso para transformar aquela nação, que é uma das mais pobres o mundo, num grande produtor de ananás, reduzindo, ao mesmo tempo, as perigosas migrações a que muitos cidadãos são obrigados devido às más condições económicas que enfrentam.

Mais de metade da população deste país da África Ocidental tem menos de 25 anos. A combinação de juventude e pobreza alimenta, há já vários anos, a migração. O surto de Ébola em 2016 foi apenas mais um incentivo para os guineenses saírem do país rumo a Itália.

Agora, a Guiné viu no ananás um sinal de esperança para pôr fim a este fluxo que ameaça a economia do país. Através de uma unidade de desenvolvimento, chamada GDU, o Governo estabeleceu uma parceria com pequenos agricultores guineenses para oferecer aos jovens uma oportunidade económica destinada a dissuadi-los de fugir para solo europeu. Os esforços têm também como alvo repatriados como Aboubacar.

Desde 2017, a iniciativa já fez mais do que duplicar a área cultivada com ananás na Guiné, de 250 para 550 hectares, sob a supervisão da associação de pequenos agricultores, La Fédération des Planteurs of the Filière Fruit de la Basse Guiné (FEPAF-BG). A produção deste fruto aumentou de 10.000 para 18.000 toneladas e foram criados cerca de 2.000 postos de trabalho. Com apenas um hectare, um agricultor de ananases pode ganhar até 2.500 dólares (cerca de 2.265 euros) num ciclo de 18 meses.

Vários especialistas afirmam que esta transformação e capacidade de dar a volta por cima por parte deste país africano pode servir de exemplo para muitos países.

No que diz respeito à migração, há sinais de sucesso. Apesar de a repressão por parte da Itália ter levado à redução do número total de migrantes, a Guiné, o terceiro maior país de origem em 2016, é agora o oitavo. Nos primeiros sete meses deste ano, apenas 91 guineenses chegaram à Itália, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.

O ananás foi o fruto escolhido pelo facto de ser mais vantajoso quando comparado com outras culturas: além de ser mais barato, é também mais lucrativo que outras culturas que crescem em solo guineense, como a banana, por exemplo.

Para Aboubacar e muitos outros guineenses, a esperança em forma de ananás ainda brilha. “Estou feliz por estar em casa e trabalhar”, confessa o jovem, citado pelo OZY. “Antes, as pessoas não tinham esperança, mas agora sabem que podem ficar aqui e cultivar ananás.”

LM, ZAP //

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5 COMENTÁRIOS

      • LoooL Cientista da treta…não! Não são o mesmo fruto. Quanto muito são “primos”. O ananás tem especificidades bem diferentes do abacaxi, quer no paladar (o ananás é mais ácido e o abacaxi é mais doce), quer na própria casca (formato dos pequenos “losangos”), quer no formato do próprio fruto (ananás é mais arredondado e o abacaxi mais alongado), quer até na própria rama (a do abacaxi é maior e mais fechada enquanto que a do ananás é mais pequena e aberta). O cultivo diferenciado nos locais e na forma, não retira a diferenciação das especificidades de cada um deles, excepto na questão do paladar, onde se poderão registar, efectivamente, algumas alterações.

        • Por essa ordem de ideias, uma uva da casta Touriga Nacional, terá de ter outro nome para Loureiro ou Alvarinho… Além de uma serem de cores diferentes, sabores diferentes, rama diferente, e produzirem vinhos diferentes (Maduros vs Verdes / Brancos vs Tintos), teríamos de arranjar uma panóplia de nomes para as as uvas como teríamos para os Abacaxis!
          Talvez este artigo científico ajude: http://www.scielo.br/pdf/cr/v40n6/a620cr2584.pdf
          Já agora, qual a tradução de abacaxi e ananás em Francês, Alemão, Latim, Russo, Chinês…? Como poderão eles distinguir Ananás de Abacaxi se o nome é o mesmo?

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