Queda de asteróides na Terra aumentou dramaticamente nos últimos anos

As colisões de asteróides gigantes com a Terra aumentaram dramaticamente nos últimos 290 milhões de anos, de acordo com uma nova investigação científica. Cientistas dizem que é um alerta “para o próximo evento de extinção em massa” que devemos tentar evitar.

Nos últimos 290 milhões de anos, aumentou a frequência com que asteróides gigantes têm caído na Terra, comparativamente com os 700 milhões de anos anteriores, de acordo com um estudo publicado no jornal científico Science.

Muitos cientistas têm defendido que os impactos de asteróides com a Terra são uma ameaça constante para o planeta, embora rara. Esta nova pesquisa desafia essa ideia, mostrando, pela primeira vez, dados estatísticos que vão no sentido de confirmar que a média de colisões espaciais com o planeta tem flutuado no tempo.

Investigadores norte-americanos e britânicos compilaram uma lista de crateras de impacto na Terra com uma dimensão superior a 20 km de largura – para criar uma cratera deste tamanho é preciso um asteróide de 800 metros de largura, pelo menos, explicam os cientistas à Associated Press.

Com recurso a imagens da Órbita de Reconhecimento Lunar da NASA, estudaram os destroços em torno destas crateras de modo a conseguirem situá-las no tempo, através da datação radiométrica.

Desta forma, contabilizaram 19 crateras que teriam 290 milhões de anos e nove que teriam entre 291 e 650 milhões de anos.

Todavia, o facto de a Terra ter mais de 70% de oceanos e glaciares atenua algumas crateras antigas, pelo que nem todas terão sido contabilizadas, como atesta a co-autora da pesquisa, Rebecca Ghent, cientista planetária da Universidade de Toronto, em declarações divulgadas pela Associated Press.

Para contornar este problema, os cientistas analisaram também crateras de impacto na Lua. Por se encontrar no mesmo caminho da colisão espacial que a Terra, a Lua é um excelente objecto de análise porque, sendo geologicamente inactiva, as suas crateras são mais duradouras. Já na Terra, as crateras são, muitas vezes, “apagadas” pela erosão e pela deslocação dos continentes.

Foi extrapolando dados da Lua que os cientistas chegaram a um total de 260 quedas de asteróides na Terra nos últimos 290 milhões de anos.

Assim, a actual taxa de colisão espacial é de 2.6 vezes mais do que nos 700 milhões de anos anteriores.

Um alerta para a fragilidade da vida humana

“É apenas um jogo de probabilidades”, trata de destacar a investigadora que liderou o estudo, Sara Mazrouei, da Universidade de Toronto, no Canadá. “Estes eventos continuam a ser raros e distantes entre si que não estou muito preocupada quanto a isso”, frisa citada pela Associated Press.

Porém, o cientista Avi Loeb, da Universidade de Harvard, nos EUA, que não esteve envolvido na pesquisa, leva os números mais a sério e considera, num email enviado àquela agência de notícias, que “esta taxa de impacto aumentada representa uma ameaça para o próximo evento de extinção em massa que devemos observar e tentar evitar com a ajuda da tecnologia”.

“Isto demonstra quão arbitrária e frágil é a vida humana“, nota ainda Loeb.

“Embora as forças que impulsionam” os eventos de extinção em massa “sejam complicadas e possam incluir outras causas geológicas, como grandes erupções vulcânicas, combinadas com factores biológicos, os impactos de asteróides desempenharam certamente um papel nesta saga em andamento”, diz ainda o co-autor da investigação Thomas Gernon, da Universidade de Southampton, no Reino Unido, citado pela Phys.org.

“A questão é se a mudança prevista nos impactos dos asteróides pode ser directamente relacionada com os eventos que ocorreram há muito tempo na Terra”, constata Gernon.

Também não é possível saber se a taxa de impactos continua a crescer ou se está em queda.

Os cientistas não conseguem igualmente explicar a que se deve este aumento das colisões espaciais com a Terra nos últimos 290 milhões de anos.

Pode ter a ver com grandes colisões ocorridas há mais de 300 milhões de anos no cinturão principal de asteróides entre as órbitas de Marte e Júpiter, como explica outro co-autor do estudo, William Bottke, do Instituto de Investigação Southwest no Colorado, nos EUA, em declarações divulgadas pelo The Guardian.

Bottke salienta que quando os asteróides colidem, podem provocar detritos que se deslocam para a Terra ou para a Lua. “Se a separação inicial for grande o suficiente, o aumento nos impactos pode durar centenas de milhões de anos”, acrescenta.

O cientista planetário concluiu que foi precisamente um tipo de fenómeno semelhante que causou o impacto que há 65 milhões de anos levou à extinção dos dinossauros.

Apesar de tudo, as possibilidades de um asteróide cair na Terra continuam reduzidas e não há ameaças latentes, de acordo com os últimos dados divulgados pela NASA.

O asteróide que maior risco coloca tem 1,3 km de comprimento e apresenta 99,988% de possibilidades de falhar a colisão com a Terra quando passar perto do planeta daqui a 861 anos, como destaca a Associated Press.

SV, ZAP //

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