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A Amazónia está a ser dilacerada. Mas não é a única floresta do mundo que estamos a perder

Cícero Pedrosa Neto / Amazonia Real

Setembro de 2020. Queimadas em terras indígenas da Amazónia, Alto Rio Guam, Brasil

Quando se fala em desmatamento o primeiro local que vem à mente é a Amazónia. Mas este não é o único lugar onde a diminuição das florestas é uma preocupação, como destacou um novo estudo.

De acordo com o Science Alert, o estudo publicado recentemente na PNAS é a primeira avaliação abrangente às florestas. Os dados mostram que, entre 2000 e 2019, 3.264 quilómetros quadrados de floresta tropical foram perdidos.

Imagens de satélite mostraram que quatro quintos desse desmatamento ocorreram em quatro países: Indonésia, Brasil, Gana e Suriname. A Indonésia estava no topo da tabela, sendo a responsável por 58,2% do desmatamento causado pela mineração.

Além do desmatamento, há vários “danos ambientais” causados ​​pela mineração: destruição de ecossistemas, perda de biodiversidade, interrupção de fluxos de água, produção de resíduos perigosos e poluição, disse Stefan Giljum, professor da Universidade de Economia e Negócios de Viena, na Áustria.

Os dados utilizados no estudo são provenientes de 26 países, representando 76,7% do desmatamento originado pela mineração no período referido. As atividades de mineração abrangeram extração de carvão, ouro, minério de ferro e bauxita.

Em dois terços dos países tropicais, o desmatamento associado à mineração resultou da criação de infraestruturas de transporte, instalações de armazenamento e crescimento de municípios.

Segundo o estudo, o pico de desflorestação na Indonésia, no Brasil e no Gana ocorreu entre 2010 e 2014, apesar de a mineração continuar a crescer, especificamente no primeiro país.

“Embora o desmatamento total da Indonésia tenha diminuído desde 2015, estas descobertas enfatizam a necessidade contínua de um forte planeamento do uso da terra, garantindo que a mineração não destrói florestas ou viole os direitos das comunidades”, indicou Hariadi Kartodihardjo, professor da Bogor Agricultural University, na Indonésia.

Os investigadores notaram que, embora os governos do Brasil e da Indonésia estejam a pedir às empresas que reduzam o nível de danos, é pouco provável que haja uma redução significativa na mineração e no desmatamento num futuro próximo.

Em alguns países tropicais, referiram ainda os especialistas, atividades intensivas como a pecuária, ou a produção de óleo de palma e soja, causam mais desmatamento do que a mineração.

Pesquisas anteriores já haviam mostraram que uma das soluções para prevenir o desmatamento é reconhecer e fazer valer os direitos de propriedade das comunidades locais e dos povos indígenas.

Em estudos futuros, a equipa pretende analisar as operações de mineração artesanal e de menor escala, que às vezes passam despercebidas quando se trata de uma análise ambiental como esta. Em última análise, o objetivo é obter uma melhor compreensão do que está acontecendo, para depois agir.

  ZAP //

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