Amamentação provoca diferendo entre mãe trabalhadora e Sindicato

Uma mulher e o sindicato onde trabalha não se entendem quanto ao período do dia em que a trabalhadora pretende usufruir do direito à amamentação. O caso é divulgado pela Rádio Renascença e passa-se no Sindicato dos Transportes Rodoviários e Urbanos do Norte.

Manuela Moreira e a estrutura sindical, que é também a sua entidade patronal, não conseguem alcançar um acordo quanto ao período em que ela usufruirá do direito à amamentação do filho. Ela pretende chegar ao trabalho às 10h da manhã, em vez das 9h do horário habitual, mas o Sindicato não permite, alegando que é nesse período que se verifica maior afluência.

Conforme avança a Rádio Renascença, o Sindicato já aceitou a pretensão desta mãe de sair às 17h, em vez das 18h, mas não há entendimento quanto ao horário matinal.

“A minha filha mama por volta das sete da manhã e, depois disso, não tenho transporte para conseguir estar aqui às 9 da manhã. Já lhes tentei explicar isso por diversas vezes, mas eles respondem que eu cismei com este horário, que eles também cismaram com o horário deles e então não saiem daqui, só indo para tribunal”, explica Manuela Moreira à Renascença.

Esta mãe trabalhadora tem chegado ao local de trabalho um pouco antes das 10h e é obrigada a sair, com a indicação de que só pode entrar às 14h. Passa então as suas manhãs sentada à porta do Sindicato e considera que o discurso desta entidade “não é válido”.

Manuela Moreira repara que o Sindicato frisa que dispensá-la entre as 9 e as 10 horas da manhã causa “grande distúrbio”, por ser o “horário de maior afluência”, mas nota que não a “deixam pegar de manhã”.

Entretanto, arrisca um processo disciplinar e só recebe as horas em que efectivamente trabalha.

Ouvido pela Renascença, o Sindicato ter-se-á mostrado “disponível para alterar a sua posição, se as autoridades competentes provarem que, nestes casos, em que não há acordo, a funcionária é que decide o horário pretendido” para a amamentação.

A Autoridade para as Condições do Trabalho e a Comissão para a Igualdade no Trabalho vão agora analisar o caso. Mas a advogada Rita Pereira Garcia, especialista em Direito do Trabalho, aponta à Renascença que há um parecer que salienta que a vontade da mãe deve prevalecer, embora a Lei não inclua esse dado.

SV, ZAP

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9 COMENTÁRIOS

  1. O sindicato devia ter vergonha, primeiro esta o bem do bebé, ainda bem que os sindicatos existem para defender os trabalhadores, é lamentável.

  2. Por vezes leio coisas que até parecem mentira, mas esta bate todos recordes e depois vem o governo a incentivar para termos filhos. É a vergonha das vergonhas ainda para mais a entidade patronal ser um sindicato.

  3. A ser verdade esta notícia é mais uma para o descrédito deste país….os sindicatos estão cheios de pessoas que são políticos…em alguns casos saem dos sindicatos e vão para partidos políticos. Portanto nada de estranho nisto..aliás..neste país nada é estranho…porque as ditas “parvoíces” que acontecem neste país são o resultado de uma alegada democracia que não existe! Simplesmente não existe! Porque uma democracia assenta em direitos e deveres de cada ser individual e/ ou colectivo! Onde está o interesse da criança?! Não conta para nada!?!?’Afinal isto é o que!? também não temos direitos!?!? É só deveres!?!? Enfim…país pobre em que o povo quando vota, vai votar nestas pessoas que só são inteligentes para os bolsos deles..Marcelo Caetano uma vez disse: ” o povo português não sabe viver em democracia”. Pelos vistos teve razão…

  4. Vamos fazer uma força pela Manuela e pela criança,
    temos que mostrar ao Sindicato para dar o exemplo, se fosse do Porto ia dar uma força à Manuela e buzinar à porta, como sou de Lisboa só vou ligar várias vezes ao dia e mandar emails façam o mesmo!!!!!!

  5. Eu lendo nas entrelinhas, penso que a historia não está toda contada, mais a mais sendo um sindicato envolvido, e como não conheço o factos, não me atrevo a fazer juizos do que não sei, mas lembro que existe legislação para o caso supra e não é por ser mãe e haver uma criança envolvida que passa automaticamente a ser uma vitima, pois sabemos que há por aí muitas mães, e que tambem se as empresas e outras instituições recrutam funcionários, é porque necessitam deles para o seu normal funcionamento e não se podem dar ao luxo de ter pessoal em duplicado para fazer face a situações analogas, pelo que tem que imperar o bom senso e isto aplica-se a ambas as partes.
    Sabemos que há patrões que abusam de certas situações, mas tambem sabemos que há funcionarios que os suplantam.
    Tenham uma muito boa noite

  6. Assim se vê o quanto os sindicatos defendem os direitos dos trabalhadores, assim parece que não passam de uma organização tal e qual uma empresa que apenas visa o lucro… Pois é, anda o pessoal a pagar um sindicato para isto… Só de olhos nos € dos pobres trabalhadores…

  7. Eu sou mulher e contra as mulheres falo e sei do que falo.
    Inúmeras são as mulheres que se aproveitam do facto de serem mães para conseguirem usufruir de TUDO o que lhes é devido e também do que não lhos é!….
    No meu ponto de vista, devemos ter em atenção também ao nosso local de trabalho, se vamos ou não ser necessárias. Negociar o que é bom para ambos e não só para uma das partes.
    Sou mãe de 2 filhos e foi assim que fiz porque me parece o mais correcto.

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