Alemanha avisa que as vacinas vão demorar meses a ter efeito. Irlanda regressa ao confinamento total

José Sena Goulão / Lusa

As autoridades alemãs lembraram esta quarta-feira que o novo coronavírus está disseminado em todas as camadas da população e alertaram que a melhoria da situação epidemiológica devido à campanha de vacinação iniciada recentemente demorará meses a surtir efeito.

“A propagação do vírus já atingiu todas as idades”, disse o presidente do Instituto Robert Koch (RKI), Lothar Wieler, depois da entidade, que é responsável pelo controlo e prevenção de doenças no país, ter contabilizado 1129 vítimas mortais causadas por covid-19 nas últimas 24 horas, ultrapassando, pela primeira vez na Alemanha, a barreira de mil mortes num só dia.

A campanha de vacinação “é a maior da história da Alemanha”, disse o ministro da Saúde, Jens Spahn, que descreveu o seu início como um sucesso e lembrou que, nos três primeiros dias, foi injetada a primeira dose da vacina em 60 mil pessoas.

O objetivo do Governo alemão é distribuir cerca de 1,3 milhões de doses até ao final do ano e 14 milhões no primeiro trimestre de janeiro, tendo como meta a disponibilização da vacina a todos os cidadãos que o desejarem – “será gratuita e voluntária”, segundo sublinhou – a meio do próximo ano.

No entanto, disse, a Alemanha “ainda está muito longe” de voltar “à normalidade” avisando que a situação atual não permite voltar “ao período anterior às restrições”.

O ministro expressou confiança de que a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e pela farmacêutica AstraZeneca, aprovada hoje pelas autoridades reguladoras do Reino Unido, deverá receber aprovação para a Europa “em breve”.

Spahn defendeu que serão necessárias “muitas vacinas seguras” e que o aumento da produção depende da sua diversificação. Até agora, lembrou, a vacinação limita-se à vacina da alemã BioNTech e da sua parceira norte-americana Pfizer, mas aguarda-se a aprovação da vacina da Moderna na próxima semana.

Ainda assim, alertou Lothar Wieler, “os efeitos sobre a evolução epidemiológica da vacina vão demorar meses”.

O presidente do Instituto Paul-Ehlich, Klaus Cichulek, também referência na Alemanha, acrescentou que, até a toma da segunda dose – cerca de duas semanas após a primeira – a imunidade máxima não é atingida.

Além de registar um número recorde de mortes diárias, o RKI também contabilizou hoje um total de 24.740 novas infeções, abaixo do máximo de 33.777 pessoas infetadas num só dia registado no início de dezembro.

É preciso levar em conta, lembrou Wieler, que são feitos menos exames na época de férias e que a atualização dos números de óbitos é mais lenta. Segundo o responsável, é necessário olhar, não tanto para os dados diários do número de mortos, mas sim para os acumulados ao longo de sete dias, para poder avaliar a tendência com maior precisão.

A Alemanha registou 1.687.185 de casos de infeções desde o início da pandemia no país (que tem 83 milhões de habitantes), dos quais 1.302.600 conseguiram recuperar. O número de mortos é de 32.107.

O próprio ministro da Saúde antecipou na terça-feira, na televisão pública ARD, a perspetiva de estender as restrições até depois do inicialmente previsto – 10 de janeiro -, embora sem especificar o nível das medidas a impor.

A chanceler, Angela Merkel, e os líderes regionais, responsáveis pela implementação local das medidas, devem reunir-se no dia 4 de janeiro para avaliar a situação.

As lojas não essenciais estão fechadas desde 16 de dezembro e os estabelecimentos de animação noturna, cultural e gastronómica desde o início de novembro.

Irlanda regressa ao confinamento total

A Irlanda, por sua vez, vai regressar ao confinamento total às 00h00 de quinta-feira, e por um período de pelo menos um mês, devido ao aumento exponencial de infeções por covid-19, anunciou o primeiro-ministro, Micheál Martin.

A partir das 00h00 de quinta-feira, os irlandeses “devem ficar em casa”, só saindo para irem trabalhar, irem à escola ou por “outras razões essenciais”.

“Devemos regressar a um confinamento total, a grande escala, por um período de pelo menos um mês”, disse o chefe do Governo irlandês, numa declaração transmitida pela televisão.

Micheál Martin classificou a situação como “extremamente grave”.

A Irlanda estava em confinamento parcial desde a semana passada, com cabeleireiros, restaurantes e bares encerrados. Mas, perante o aumento de 61% dos contágios numa semana, o Governo irlandês decidiu encerrar, a partir de quinta-feira, as lojas de comércio não essencial e os pavilhões desportivos.

As escolas mantêm-se abertas, mas o novo trimestre escolar começará em 11 de janeiro, três dias mais tarde do que a data prevista.

“Faremos o que for preciso para travar o vírus”, afirmou o primeiro-ministro, assinalando o “crescimento exponencial” das infeções por covid-19, causadas por um novo coronavírus, e “o aumento acentuado do número de hospitalizações”.

A suspensão das ligações aéreas da Irlanda com o Reino Unido, onde foi detetada uma nova estirpe do coronavírus da covid-19, será prolongada até 6 de janeiro.

A Irlanda, que tem cerca de cinco milhões de habitantes, totaliza mais de 90 mil casos de infeção, dos quais 2.226 mortes.

ZAP ZAP // Lusa

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