Alcoólicos em tratamento sem medicamento desde novembro

Nic Bothma / EPA

O Tetradin aumenta em 30% as possibilidades de sucesso no tratamento da dependência alcoólica. Os especialistas já lançaram uma petição na qual apelam à reposição imediata do medicamento.

Os alcoólicos em tratamento em Portugal estão há cinco meses sem acesso a Tetradin, um medicamento utilizado no tratamento do alcoolismo.

Ao Público, o psiquiatra Domingos Neto adiantou que esta situação, que se arrasta desde novembro, já “prejudicou centenas de doentes que recaíram ou não conseguiram iniciar o tratamento”.

Centenas profissionais da área e familiares de doentes subscreveram, no início do mês de março, uma petição pública pedindo “a reposição imediata deste medicamento no mercado português”. A empresa que distribuía o Tetradin em Portugal, Caldeira & Metelo, alega que o fabricante indiano deixou de fornecer o medicamento para a Europa.

No entanto, segundo a petição, o fármaco continua à venda em Espanha e França. A ausência do medicamento, que tem uma substância ativa, o dissulfiram, capaz de aumentar em 30% o sucesso no tratamento da dependência alcoólica, “compromete gravemente a saúde” de muitos alcoólicos portugueses em tratamento.

Sem o fármaco ou outro similar a que possam recorrer, os alcoólicos em tratamento tendem a recair no consumo. “Era uma arma interessante, e o facto de não podermos contar com ela prejudica claramente o tratamento de muitos doentes”, explica Ana Feijão, coordenadora da Unidade de Alcoologia de Lisboa.

O dissulfiram funcionava como “uma espécie de policiamento de si próprios”, já que “se o doente beber álcool por cima do medicamento, fica vermelho, com baixa de tensão, sente-se mal, pode vomitar, fica ansioso e tem um aumento da frequência cardíaca”, explicou Domingos Neto.

O psiquiatra continua a prescrever o fármaco aos seus doentes. “Entrei em acordo com uma farmácia que o importa de Espanha. A diferença é que antes uma caixa com 60 comprimidos que dava para oito meses de tratamento custava 4,60 euros. Agora, compramos 40 comprimidos por cerca de 18 euros”, conta ao matutino.

Na petição dirigida ao ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, os signatários denunciam o facto de “já ter havido uma tentativa por parte do laboratório para descontinuar o fármaco”.

Os autores dizem ainda ter recebido do Infarmed a indicação de que o medicamento vai regressar ao mercado em Abril. O Público contactou a entidade reguladora do medicamento mas não obteve uma resposta.

ZAP //

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