Sem ajudas do Governo, “não sei se os grandes vão continuar a ser grandes”

Paulo Novais / Lusa

O presidente do Marítimo, Carlos Pereira

“É complicado encontrar soluções”, assume o presidente do Marítimo numa altura em que o futebol está parado por causa da pandemia de Covid-19. A situação é “aflitiva” para muitos clubes, diz Carlos Pereira que acredita que “os grandes” é que vão sofrer mais porque têm vivido acima das suas possibilidades.

Numa entrevista ao jornal A Bola, Carlos Pereira lembra que “nunca estivemos perante esta situação” e assume que, por isso, há “quase uma impotência para resolver os problemas perante um inimigo invisível“.

As grandes preocupações de um presidente de um clube, neste momento, são saber como pagar “os salários”, como vai ser “a circulação dos jogadores” e “a recuperação das instalações”, avança Carlos Pereira, lamentando que todos os clubes vão sofrer “um rombo nas finanças” por causa da pandemia.

“Não havendo valores financeiros a entrar, fica muito difícil a gestão”, diz, prevendo “um rombo para cima dos três milhões de euros” só no Marítimo.

Mas, apesar disso, Carlos Pereira acredita que serão “claramente os grandes” os que mais vão sofrer com esta crise. “Os grandes, ao longo destes anos, foram sempre gastando por conta do que tinham disponível e gastando sobre as garantias dos operadores televisivos e dos fundos, sendo que os fundos não dão nada a ninguém. Vão cobrar na hora certa, sendo que a dificuldade do pagamento será elevada“, analisa o dirigente.

Não sei se os grandes vão continuar a ser grandes como o são actualmente”, considera ainda Carlos Pereira que salienta que sem ajudas do Governo, o cenário será muito complicado para os clubes de futebol.

O cenário será especialmente difícil “se não existir das entidades competentes a preocupação de atenuar os prejuízos de cada um deles, nomeadamente na isenção de taxas do IRS e Segurança Social nos períodos em que não existe actividade, se não se aplicar o fundo de emergência, se não houver dispensa do pagamento por conta, se não houver perdão da dívida do Toto-negócio, se não houver uma antecipação das receitas do Placard, se não houver uma revisão das multas que actualmente são aplicadas aos clubes”, refere o presidente do Marítimo.

“Se não houver a ajuda de todos, Governo, Liga, Federação Portuguesa de Futebol, operadores de televisão, bem como a contribuição do Sindicato dos Jogadores para a redução parcial dos salários, muitos clubes vão ter extremas dificuldades em sobreviver”, conclui.

ZAP //

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3 COMENTÁRIOS

  1. Primeiro a Saúde.
    Depois o abastecimento.
    A seguir a segurança.
    Logo a economia.

    O FUTEBOL PODE BEM FICAR NA PARTE DE BAIXO DA LISTA.

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