Afinal, Marte estava coberto de gelo e não de rios (e isso pode ter sido favorável à vida antiga)

ESO/M. Kornmesser

Impressão artística mostra como Marte seria há 4 mil milhões de anos

Afinal, o antigo Marte estava coberto por gelo e não por rios, tal como sugerem investigações anteriores, concluiu um novo estudo que deixa mais distante a possibilidade de o Planeta Vermelho ter tido alguma forma de vida.

De acordo com a nova publicação, o elevado número de vales antigos esculpidos na superfície marciana foi formado pela água que foi derretendo sob enormes camadas de gelo de glaciares, não sendo fruto de rios de fluxo livre, como apontaram várias investigações anteriores, refere o portal Futurism.

Este estudo, cujos resultados foram recentemente publicados na revista científica especializada Nature Geoscience, desafia a hipótese de um antigo Planeta Vermelho quente e húmido, que postula que Marte já foi coberto por enormes sistemas fluviais, alimentados por chuvas e grandes oceanos de água líquida.

Para chegar a esta conclusão, a equipa de cientistas do Canadá e dos Estados Unidos, analisaram mais de 10.000 vales marcianos e compararam-nos depois com canais da Terra que foram esculpidos sob glaciares.

O estudo segue uma outra investigação recente que incluiu imagens de alta resolução recolhidas pela câmara HiRISE, que está colocada a bordo do Mars Reconnaissance Orbiter da agência espacial norte-americana (NASA) e que concluiu que, muito provavelmente, grandes rios já fluíram na superfície de Marte há milhões de anos.

“Nos últimos 40 anos, desde que os vales marcianos foram descobertos pela primeira vez, partiu-se da suposição de que rios já fluíram em Marte, corroendo e originando todos estes vales”, começou por explicar Anna Grau Galofre, autora principal do estudo e antiga aluna de doutoramento na Universidade da Colúmbia Britânica, citada em comunicado.

“Mas existem centenas de vales em Marte e todos estes parecem ser muito diferente uns dos outros (…) Se olharmos para a Terra a partir de um satélite, vemos muitos vales: alguns esculpidos por rios, outros por glaciares e outros por outros processo – e cada um deste tipo tem uma forma distinta”.

E Mark Jellinek, co-autor do estudo e professor na UBC, completa, citado na mesma nota: “Estes resultados são a primeira evidência da extensa erosão sub-glacial impulsionada pela drenagem canalizada de água sob uma camada de gelo antiga em Marte.

Apesar de a existência de grandes quantidades de gelo na superfície de Marte, os cientistas dizem que estas condições podem até ter ajudado a suportar a vida antiga no planeta – a hipótese da habitabilidade não é descartada por causa das baixas temperaturas.

“Uma camada de gelo daria mais proteção e estabilidade à água subjacente, além de fornecer proteção contra a radiação solar na ausência de um campo magnético – algo que Marte já teve, mas que desapareceu há milhões de anos”, rematou Jellinek.

ZAP //

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1 COMENTÁRIO

  1. Afinal, Marte nunca teve nada de nada. É um deserto global que apenas suscita alguma curiosidade. Lá para 2100, se correr bem, pode ser que alguns humanos pisem este planeta.

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