Advogados apontam falhas à investigação da morte de Giovani Rodrigues

Luís Giovani / Facebook

Alguns advogados de defesa dos acusados do homicídio de Giovani Rodrigues apontaram, esta quarta-feira, falhas à investigação, desde o apuramento dos factos à condição clínica, com a revelação de que o jovem foi também vítima de uma infeção hospitalar.

Depois de quatro sessões dedicadas exclusivamente aos arguidos, o tribunal de Bragança ouviu o médico que fez o relatório da autópsia, um inspetor da Polícia Judiciária (PJ) e um dos outros três cabo-verdianos que estavam com Giovani Rodrigues na madrugada de 21 de dezembro de 2019.

Durante a audição do perito médico-legal, o advogado Ricardo Cavaleiro revelou, pela primeira vez na fase pública do processo, que foi diagnosticada ao jovem, durante o internamento hospitalar, uma broncopneumonia aguda, que explicou tratar-se de uma infeção hospitalar.

O advogado confrontou o perito com esta condição clínica e as possíveis consequências para o estado de saúde, acabando por ficar evidente apenas o que consta do relatório da autópsia, com o traumatismo cranioencefálico apontado como causa da morte.

O perito manteve também a conclusão já conhecida de que o referido traumatismo tanto pode ter tido causa homicida como acidental. O traumatismo no lado esquerdo da cabeça, entre a testa e o couro cabeludo, é a única lesão que consta de todos os relatórios médicos, tanto do hospital de Bragança onde o jovem foi primeiro assistido, como do hospital do Porto para onde foi transferido ao início da manhã e onde morreu dez dias depois.

Outro advogado de defesa, Américo Pereira, sustenta com os relatórios médicos uma das críticas à investigação que resultou na acusação a sete jovens de Bragança de agredirem quatro jovens cabo-verdianos a murro, a pontapé, com soqueiras, com cintos e com paus.

“Vem a autópsia e diz que o Giovani só tem um único ferimento na cabeça, como é que é possível que sete pessoas a bater numa outra pessoa indefesa no chão só lhe tenham provocado um único ferimento na cabeça e é exatamente esse ferimento que o leva à morte”, questionou.

Para o advogado, “há aqui qualquer coisa que não está certa” e “na investigação perdeu-se a oportunidade de esclarecer como é que foi feito aquele ferimento, se resultou de uma queda ou se foi agredido”.

Américo Pereira lembrou que o jovem cabo-verdiano foi encontrado caído no chão a “centenas de metros” do local onde terão ocorrido agressões entre os grupos e criticou a PJ por não ter averiguado o que se passou neste percurso, nomeadamente com recurso às câmaras que ali existem, uma diligência que o inspetor ouvido em tribunal considerou “inútil”.

Também o advogado Gil Balsemão criticou a Judiciária por nas reconstituições dos factos que realizou durante o inquérito nunca ter incluído as escadas onde Giovani terá caído e batido com a cabeça num corrimão.

“E isso é no mínimo estranho porque iria contribuir para a descoberta da verdade e escusava-se hoje, tanto tempo passado, estarmos aqui a tentar perceber e a fotografar da forma como ele caiu, ou se é que caiu, se tropeçou”, afirmou.

O episódio da queda nas escadas foi incluído na acusação na fase de instrução, com base nos testemunhos dos amigos que acompanhavam Giovani e que são ofendidos no processo, já que os sete arguidos são acusados, em coautoria, de um crime de homicídio qualificado e três de ofensas à integridade física em relação aos outros três cabo-verdianos.

O primeiro dos ofendidos começou a ser ouvido, esta quarta-feira, como testemunha e disse ao tribunal que Giovani tropeçou, não caiu nas escadas.

Os relatos sobre a madrugada de 21 de dezembro de 2019 coincidem nos momentos com os dos arguidos, com uma desavença que começou num bar e ficou sanada e um segundo episódio junto ao viaduto da Avenida Sá Carneiro junto a outro bar.

Nas duas versões, Giovani nunca aparece no início das contendas, mas sim um dos amigos e um rapaz de Bragança que nem consta do processo. O confronto físico começa na rua entre esses dois e acaba por envolver os quatro cabo-verdianos e os sete arguidos.

No tribunal já foram admitidas agressões mútuas, mas nenhum arguido confessou ter atacado Giovani, concretamente em conjunto, como afirmou o colega cabo-verdiano ouvido em tribunal. O jovem disse que conseguiram depois fugir os quatro do grupo, desceram pelas escadas onde Giovani terá caído ou tropeçado e seguiram para a outra ponta da Avenida Sá Carneiro.

Segundo a testemunha, os quatro pararam alguns metros à frente e dois voltaram atrás por terem perdido a carteira e o telemóvel na contenda. O amigo testemunhou que ficou com Giovani e que, enquanto fazia um telefonema para os outros, este desapareceu e só o reencontraram quando a Polícia já tinha chegado ao local onde estava caído e inconsciente e foi socorrido como uma vítima alcoolizada.

A testemunha disse ao tribunal que Giovani se queixava da cabeça e que tinha sangue, o que levou o juiz presidente do coletivo a confrontá-lo com o relatório dos bombeiros que o socorreram e que não viram sangue.

Só apôs examinarem a vítima é que os socorristas se aperceberam do traumatismo que não tinha ferida aberta, mas que foi feito por compressão. O julgamento já tem mais três sessões marcadas, a primeira das quais para 15 de março, e será retomado com o testemunho dos ofendidos.

// Lusa

PARTILHAR

RESPONDER

Afinal, Messi não vai renovar com o Barcelona

O internacional argentino não vai renovar contrato com o FC Barcelona, confirmou, esta quinta-feira, o clube catalão. Em comunicado publicado no seu site oficial, o FC Barcelona explica que, "apesar de ter chegado a acordo" com …

A Guerra Fria eclodiu nas piscinas de Tóquio. E promete continuar pelos Olímpicos fora

Após a final dos 200 metros costas, o nadador norte-americano Ryan Murphy sugeriu que acabara de participar numa prova que "provavelmente não foi limpa". O comentário foi interpretado como uma acusação a Evgeny Rylov, medalhado …

Moderna admite a necessidade de terceira dose da vacina este ano

A empresa biotecnológica norte-americana Moderna admitiu esta quinta-feira que será necessária uma terceira dose da sua vacina contra a covid-19 antes do fim do ano, devido ao esperado aumento de contágios causado pela variante Delta …

Marcelo insiste na vacinação dos jovens dos 12 aos 15. "Temos de ter paciência"

O Presidente da República considerou, esta quinta-feira, que as dúvidas relativas à vacinação dos jovens entre os 12 e os 15 anos não são "tanto dúvidas de princípio, quanto de momento", afirmando que "tudo tem …

44% dos futebolistas foram alvo de ofensas no Twitter

Estudo envolveu os 400 futebolistas da Premier League que têm conta oficial naquela rede social. Quase metade dos futebolistas da Premier League que têm conta oficial no Twitter recebeu mensagens com conteúdo ofensivo ao longo da …

Juiz condenado por violência doméstica e por negar relações sexuais perde ação no TC

O juiz condenado por violência doméstica e por negar relações sexuais à ex-companheira perdeu o recurso que tinha apresentado no Tribunal Constitucional (TC). De acordo com o jornal Público, em 2017, o Tribunal da Relação de …

Novo estudo deteta centenas de variantes genéticas ligadas à idade da menopausa

Um novo estudo analisou a informação genética de mais de 200 mil mulheres e identificou 290 variantes associadas ao momento da chegada da menopausa. Um estudo publicado esta quarta-feira na revista Nature usou a informação de …

Macron confirma terceira dose para os "mais frágeis e mais velhos"

França tenciona reforçar a vacinação contra a covid-19 com uma terceira dose para os "mais frágeis e os mais velhos", confirmou o Presidente francês, esta quinta-feira. "Sim, uma terceira dose será muito provavelmente necessária, não para …

Juiz Carlos Alexandre aceita proposta de caução de Luís Filipe Vieira

O juiz Carlos Alexandre aceitou a nova proposta do ex-presidente do Benfica para o pagamento da caução de três milhões de euros, no âmbito da Operação Cartão Vermelho. Segundo avança a rádio TSF, o juiz Carlos …

Filho do ex-futebolista Ballack morre em acidente de moto 4 em Tróia

O filho do ex-futebolista alemão, de 18 anos, morreu na madrugada desta quinta-feira num acidente de moto 4 em Tróia, no concelho de Grândola, distrito de Setúbal. De acordo com a TVI24, Emilio Ballack morreu, esta …