Afinal, o que nos irá acontecer quando os pólos magnéticos inverterem?

(dr) Joseph N. Pelton

Os campos magnéticos da Terra criam forças complexas à volta do planeta

A reversão dos pólos magnéticos da Terra pode parecer algo verdadeiramente assustador, mas será um evento perigoso? A resposta é não, ainda que com algumas ressalvas.

Os pólos magnéticos da Terra podem estar prestes a inverter. De acordo com observações recentes, sabemos que o campo magnético está a enfraquecer. Este e outros fatores fazem com que os cientistas se debrucem sobre este tema, afirmando que a inversão acontecerá mais cedo ou mais tarde. De qualquer das formas, defendem que não há qualquer motivo para nos preocuparmos.

Se analisarmos a história do nosso planeta, a inversão geomagnética sempre foi muito comum. E, mesmo com este contratempo, a vida conseguiu prosperar. Desta forma, os cientistas podem assegurar que não haverá nenhuma extinção em massa ou catástrofe global.

Registos fósseis mostram que os organismos vivos não sofreram com a mudança dos pólos ao longo do tempo. Além disso, também não há qualquer prova de que o alerta tenha levado a um aumento do número de terramotos, erupções vulcânicas ou mudanças dramáticas no clima.

O ponto de interrogação de toda esta questão surge na tecnologia. O campo magnético da Terra protege-nos contra as partículas eletricamente carregadas do vento solar e essa proteção é muito importante durante as tempestades solares, onde há um influxo maior do que o normal de partículas energéticas.

Apesar de estas partículas serem completamente inofensivas para os seres humanos, elas podem ser devastadoras para a tecnologia, adianta o IFL Science.

O problema, segundos os cientistas, é a ausência de acontecimentos anteriores que nos poderiam ajudar a antever as consequências da inversão dos pólos. O melhor exemplo é o Evento de Carrington, uma poderosa tempestade magnética que aconteceu em 1859.

Esta tempestade foi um verdadeiro pesadelo para a tecnologia: os sistemas de telégrafo falharam e, em muitos casos, deram choques elétricos aos operadores que os tentavam arranjar. Se esta tempestade acontecesse em 2019, os danos seriam certamente muito mais significativos: o custo estimado seria de milhares de milhões de dólares.

A inversão dos pólos não significa que a Terra passará a ter dois campos magnéticos. Se tomarmos um exemplo prático e nos imaginarmos com uma bússola a apontar para Norte, significa que, quando ocorrer uma reversão magnética completa, a seta vermelha da nossa bússola passará a apontar o Sul.

Todavia, entre estes dois eventos, há um período caótico em que múltiplos pólos podem formar-se de uma vez só, confundindo a nossa bússola e, até, os animais que usam o campo magnético para se orientarem. Apesar de caótico, este período pode durar milhares de anos – ou centenas, em raras exceções.

A última vez que houve uma inversão nos pólos magnéticos da Terra foi há 781 mil anos. A razão pela qual este fenómeno acontece ainda não é clara. O campo magnético é gerado pela rotação do núcleo externo de ferro fundido da Terra. O núcleo, que arrefece à medida que o tempo passa, cria movimento no núcleo externo devido à convecção.

A explicação que reúne mais consenso tem a ver com a turbulência que o ferro fundido sofre quando se move. É muito provável que este caos desempenhe um papel, mas ainda não está claro de que forma é que isso acontece.

ZAP //

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31 COMENTÁRIOS

  1. Já que existem por aqui professores de português a corrigirem o que o ZAP escreve, embora este último adopte a linguagem pós-AO, que renego com toda a clareza, dado que nunca aceitarei a troca do brasuquês actual pelo português de sempre, tenho a prestar o seguinte esclarecimento, originário de uma professora de português:

    “As duas palavras estão corretas e existem na língua portuguesa. Sempre que quisermos referir este número, podemos utilizar os substantivos comuns masculinos bilião ou bilhão. A palavra bilhão é a mais utilizada no português do Brasil enquanto a palavra bilião é a mais utilizada no português de Portugal. Além disso, a palavra bilião é tida como a mais correta e socialmente aceite, por ser mais próxima da palavra original em francês. Alguns dicionários sugerem que a palavra bilhão seja utilizada apenas em contextos informais.”

    Para mim, continua a ser correcta a palavra portuguesa BILIÃO.

    • Caro José Camargo,
      A palavra portuguesa “bilião” não estáincorrecta. Existe em pt_PT, e está correcta, apenas tem um significado diferente da palavra pt_BR “Bilhão” (ou da palavra en “billion”).
      “1 bilião” é 1.000.000.000.000
      “1 bilhão” é 1.000.000.000
      Em português pt_PT, 1 bilhão é “mil milhões”. Um bilião é mil vezes isso.
      E esta distinção tem que ser muito clara, porque a diferença entre um bilhão (billion) e um bilião é que um deles é mil vezes maior que o outro.

      • Certo!
        O que não é correto é usar a palavra bilhão em Portugal!
        Em Portugal, para x.000.000.000, usa-se “mil milhões” e não “bilhões”!

      • Isso não está correto. Em Portugal e na maior parte do mundo, bilião (ou bilhão) significam exatamente o mesmo que é um milhão de milhões. Já no Brasil ambas significas mil milhões, como nos EUA. Distinguir os dois números pela forma como se escreve em Portugal e no Brasil é um erro.

        • Caro Felix Batista,
          Está errado.
          Nos Estados Unidos, 1 billion não é um milhão de milhões, é “1.000 millions”, ou seja, é mil milhões – igual ao Brasil, onde 1 bilhão é “1.000 milhões”, ou seja, mil milhões em Portugal.
          Repetindo:
          Em Portugal:
          “1 bilião” é 1.000.000.000.000
          Nos Estados Unidos:
          “1 billion” é 1.000.000.000
          No Brasil:
          “1 bilhão” é 1.000.000.000
          Em Portugal
          1.000.000.000 é “mil milhões”

          • Caro ZAP, não leu com atenção o que escrevi. O que eu disse é que um bilião em Portugal e na maior parte do mundo são um milhão de milhões(10^12, que significa um 1 seguido de 12 zeros). E disse também que no Brasil e nos Estados Unidos são mil milhões (10^9). Ou seja, ambas as palavras bilião e bilhão significam exatamente o mesmo em qualquer um dos países, como acontece com outras palavras. A diferença tem a ver com os países onde a palavra é usada e não com a grafia. Não faz sentido e está errado distinguir os dois números (10^12 e 10^9) pela grafia. Têm de verificar as fontes de informação que anda a consultar, pois esta questão que é clara na comunidade científica está errada em muitas fontes. Até no Ciberdúvidas da Língua Portuguesa há erros. Eles dizem aqui – https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/biliao-e-mil-milhoes/10391 – claramente que em Portugal um bilião são 10^12 e no Brasil são 10^9, mas erram ao dizer que na França é uma coisa na prática e outra na teoria. O que os franceses têm para distinguir os dois números são duas palavras diferentes: billion para 10^12 e milliard para 10^9.

          • Em resumo, no vosso artigo, se bem percebo, em vez de “o custo estimado seria de bilhões de dólares” devia estar “o custo estimado seria de milhares de milhões de dólares”. Não só está correto, porque em Portugal a palavra correta é “bilião”, como assim não se presta a qualquer confusão.

            • Tem obviamente razão. “Bilhões” em português de Portugal não existe (ou são “bilhas muito grandes”), e a presença do termo num artigo do ZAP é um lapso infeliz.
              Obrigado pelo reparo, está corrigido.

      • Nunca fui bom a matemática mas, reparo que há quem saiba menos que eu. Ensinaram-me assim:
        Mil, milhão, bilião, trilião, e tetralião (ilimitado). Nunca me ensinaram BILHÃO. Este designa-me uma bilha muito grande. Em termos matemáticos tomo-o por um bilião brasileiro. Mais, um bilião é mil milhões. Desta forma escrever-se-á assim: 1.000.000.000, ou seja: Um e nove Zeros. Tá?

        • Caro leitor,
          “Um bilião” não é “mil milhões.
          “Um bilião” é “um milhão de milhões”.
          Independentemente de quem o ensinou ou quando o ensinaram a contar, em Portugal conta-se assim:
          Mil, milhão, mil milhões, bilião, mil biliões, trilião…

  2. Não sei de onde os cientistas tiram as datas onde aconteceram os eventos . Não temos nada catalogado . A medição com o carbono 14 que garante que está certa.

    • Se fosse da área de Geologia não teria feito esse comentário. Em varios locais no planeta terra. É medido em material rochoso metálico… procure na net. O Google sabe mesmo muita coisa e evita constrangimentos

  3. A ultima inversao de polos pode ter acontecido com o Diluvio biblico, acontecimento curiosamente presente em todas as culturas do Mundo ..
    Pena que se discuta tanta “coisa sem Alma” como os comentarios sobre a palavra “biliao” e nao se fale mais nestas coisas ..
    É claro que o objectivo deste artigo é acalmar as pessoas, mas as consequencias de algo assim serao avassaladoras para a humanidade actual, como sempre tem acontecido ao longo dos milenios ..

    • Felizmente que se discute o significado da palavra “bilião” pois muitas pessoas ainda não sabem o seu significado correto. E um órgão de comunicação social não deve cometer este tipo de gralhas.
      Quanto ao artigo é apenas para repor a verdade. O que tem uma inversão dos pólos magnéticos terrestres a ver com um dilúvio? Absolutamente nada.

    • As evidências apontam para que sim.
      Leia o livro censurado pela C[I]A no próprio site deles: “The Adam and Eve Story”, de Chan Thomas. Esse senhor explica todo o processo da inversão dos pólos, está tudo documentado nas pedras, montanhas,plataformas continentais, se me faço perceber 😉 e como o Genesis da Bíblia foi mal traduzido e ao traduzi-lo à letra, ve-se claramente que o início da Terra, não foi inicio nenhum, mas a descrição de um cataclismo e o renascimento do planeta, que recuperou para florir novamente. Depois houve outro cataclismo, o que chamamos de “dilúvio”. Muito interessante mesmo. Só lhe digo, ninguém sabe quando acontecerá o próximo, mas o norte magnético estar a caminhar muito rapidamente para a Sibéria, é um indicador forte de que algo está pendente e próximo…
      Apesar do que poderá acontecer, não há que ter medo. Terá que acontecer, acontecerá, quer queiramos quer não. Vivam a vida da melhor forma possível e façam o bem a vocês e principalmente aos outros.

  4. Os pólos devem de estar a inverter-se na cabeça desses cientistas….. razão porque eles já começaram a andar de cabeça para baixo……e os pés para cima!!!!!!! E esta conversa de bilhões e biliões e acordos (h)ortográficos*, que tem a ver com o assunto?!!! Ou talvez tenha…segundo os meus cálculos, a inversão dos ditos cujos está prevista para daqui a 583 triliões de anos-luz!!!! Quando isso acontecer espero que nos encontremos aqui a discutir o assunto… *[acordo com h, de horta, devido a considerar um acordo de nabos e nabiças…. “ocágado está de facto na praia…” na nova versão do dito acordo: o cagado está de fato na praia…. Lindíssimo….]

    • Com todo o respeito, pior que o que não vê é o que não quer ver. Esta conversa tem tudo a ver com o assunto, pois havia uma gralha no artigo. Uma coisa é falar em milhares de milhões de dólares, outra coisa muito diferente é falar em milhões de milhões de dólares (mil vezes mais). Pena que não tenha percebido, pois isto nada tem a ver com o acordo ortográfico. E já agora, ano-luz é uma unidade de distância e não de tempo.

      • Se tivesse colocado a fórmula terias chegado a essa conclusão… 583 x x x x x x x 300.000kms/s (distância)…. Utilizei o termo figurado para dizer que isso não passa de utopia… A questão dos zerinhos é devido a essas escalas curta e longas…. mas como o meu dinheiro só chega aos três zeros, fico por aqui… Quanto ao acordo foi a incorporação do português brasileiro na língua mãe portuguesa, em vez do contrário!!!

  5. Esta é para o…. Zap. Todos os sites dão a possibilidade de após os comentários serem enviados, rever, rectificar ou alterar… O zap não tem essa funcionalidade ou será que estou errado?!!!!!

  6. Apesar das críticas, esquecem que o ZAP também tem leitores brasileiros que, por sua vez, não entendem a palavra “bilião”, pois não existe no PT_BR.

  7. Para nos acontecer alguma coisa nem é preciso haver a inversão de nada. Mais depressa ou mais devagar, as coisas vão continuar a acontecer. Por acaso eu prefiro mais verter (um tinto plas goelas abaixo).

  8. Direto do Brasil: 1.000 (mil); 1.000.000 (milhão); 1.000.000.000 (bilhão); 1.000.000.000.000 (trilhão); e assim por diante.

  9. Olá! Estou falando Brasil, hemisfério Sul do planeta Terra.
    Todos conhecem a Constelação do Cruzeiro do Sul. Sabem porque ela tem esse nome? Sabem onde ela fica no firmamento em relação à Terra?? NO SUL, É LÓGICO!! Não é?? Pois é. Na noite de 30 de janeiro deste ano (2019) a Constelação estava numa posição relativamente posicionada entre o Leste e o Sudeste. NÃO ESTAVA NO SUL ONDE DEVERIA ESTAR!!! MUITO ESQUISITO ESSE POSICIONAMENTO!! Uma constelação que deveria estar no Sul, estava no Leste! Pena que não me ocorreu fotografar o ocorrido. Além do que, a Constelação estava numa posição VERTICAL, e não meio inclinada como é o usual posicionamento dela. ALGUÉM SABERIA ME EXPLICAR ESSE FATO???? TERIA RELAÇÃO COM OSCILAÇÃO DO EIXO MAGNÉTICO EM QUESTÃO?

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