65 anos depois, acabou a Guerra da Coreia

Acabou a Guerra da Coreia. A declaração conjunta de Kim Jong-un e Moon Jae-in sublinha o início de “uma nova era de paz” entre os dois países e o compromisso rumo à “completa desnuclearização da península coreana”.

O líder norte-coreano, Kim Jong-un, e o Presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, encontraram-se, esta sexta-feira, na zona desmilitarizada entre os dois países, que marca a fronteira no paralelo 38, na primeira cimeira das duas Coreias em mais de uma década.

Este encontro histórico aconteceu entre sorrisos e mãos dadas. “Hoje estamos numa linha de partida, onde uma nova história de paz, prosperidade e relações intercoreanas está a ser escrita”, disse Kim Jong-un antes do arranque das conversações entre os dois líderes.

Kim Jong-un e Moon Jae-in cumprimentaram-se com um aperto de mão e, segundo as imagens transmitidas em direto pelas televisões noticiosas internacionais, o aperto deu-se em cima da linha que separa os dois países, com ambos os líderes sorridentes. Moon Jae-in disse ao seu homólogo do norte: “estou feliz por o ver“.

Foi logo após o aperto de mão que Kim Jong-un deu um passo em frente e entrou em território sul-coreano, tendo de imediato convidado Moon Jae-in a saltar consigo a fronteira e pisar solo norte-coreano. Todas estas ações mereceram os aplausos dos presentes.

De seguida, o líder norte-coreano, o primeiro líder a pisar a Coreia do Sul desde a guerra coreana (1950-1953), recebeu um ramo de flores das mãos de duas crianças e seguiu, ao lado de Moon Jae-in, para uma guarda de honra.

Os líderes sentaram-se frente-a-frente numa mesa oval, cada um rodeado por dois assistentes, permitindo que o arranque das conversações fosse transmitido em direto pelas televisões.

Mas, ainda antes de a cimeira ter início, Kim Jong-un saudou aquele que é o nascimento de uma nova era de paz. “Uma história nova começa agora – no ponto de partida da história e de uma era de paz”, escreveu o líder norte-coreano no livro de honra colocado nas instalações, no lado sul da fronteira.

Segundo a Associated Press, no arranque dos trabalhos, Kim Jong-un disse a Moon Jae-in que não iria repetir o passado onde as duas partes se mostraram “incapazes de alcançar acordos”. Já o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, disse ao líder norte-coreano que esperava da cimeira a conclusão de um “acordo audacioso”.

“Espero que tenhamos discussões francas e que alcancemos um acordo audacioso a fim de oferecer ao conjunto do povo coreano e aos que querem a paz um grande presente”, disse Moon.

Há mais de dez anos que não havia um encontro entre os líderes das Coreias. Segundo o Público, Kim Jong-un afirmou ter sentido um “turbilhão de emoções” e indagou-se sobre a razão pela “pela qual demorou tanto tempo” até se encontrarem. Ambos concordaram que se deviam encontrar mais vezes a partir deste dia de histórico.

Entre uma primeira ronda de discussões e uma segunda, ambos os líderes participaram numa cerimónia simbólica em que plantaram uma árvore, com Kim a falar numa “nova primavera” entre as duas Coreias.

Espero que a nossa relação possa crescer tal como este pinheiro“, afirmou o líder norte-coreano, citado pelo Diário de Notícias. Ao que Moon respondeu: “Sim, espero que isso aconteça”.

Coreias concordam com “total desnuclearização”

Os líderes coreanos anunciaram a assinatura de um tratado de paz para pôr fim formal à guerra, ainda este ano. No horizonte está, assim, o passo formal para acabar com o conflito, sendo que as duas nações ainda estão tecnicamente em guerra, desde 1953.

Segundo a CNN, a “Declaração de Panmunjom da Paz, Prosperidade e Unificação da Península Coreana” refere que “não haverá mais guerra” na península, tratando-se do início de uma “nova era de paz”. Além disso, os líderes Kim Jong-un e Moon Jae-in concordam com a “total desnuclearização da Península Coreana”.

Sem fazer qualquer menção à desnuclearização, Kim afirmou, depois de anunciada a declaração, que “esperámos muito tempo por este momento”. Já Moon garantiu que não haverá mais guerra na região e que ambos concordaram com a total desnuclearização, um “objetivo comum” dos dois líderes.

“A Coreia do Norte e a Coreia do Sul concordaram em procurar o apoio e cooperação da comunidade internacional na desnuclearização” da região, lê-se no documento.

No entanto, segundo o Público, o termo “desnuclearização” tem significados diferentes para a Coreia do Norte e para os Estados Unidos, cujos líderes estarão reunidos no próximo mês. Se para Washington, a desnuclearização significa a entrega das armas nucleares e dos sistemas de mísseis; para Pyongyang, significa que ambos os lados darão passos para acabar com as armas nucleares.

Em 1953, o armistício pôs fim às hostilidades entre as duas Coreias, mas não foi seguido de qualquer tratado de paz. Agora, tanto o Norte como o Sul comprometem-se a fazer “um esforço conjunto para aliviar a grave tensão militar e eliminar o perigo de guerra na Península Coreana”.

O Presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, anunciou ainda que vai visitar a Coreia do Norte no outono deste ano.

ZAP // Lusa

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3 COMENTÁRIOS

    • O quê? Isso não faz qualquer sentido. Os EUA têm todo o interesse na unificação das Coreias. A reunião das Coreias vai obviamente levar à democratização da Coreia do Norte, e a uma aproximação aos EUA.

      Tendo em conta a importante parceria estratégica entre EUA e Coreia do Sul, isso não só abre todo um novo mercado às empresas Americanas como reduz a influência Chinesa e Russa na zona.

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