A mais pequena galáxia do Universo tem um buraco negro supermassivo

NASA Goddard Space Flight Center / Flickr

A galáxia ultra-densa M60-UCD1 com o seu buraco ngro supermassivo, conceit artístico

A galáxia ultra-densa M60-UCD1 com o seu buraco ngro supermassivo, conceit artístico

Novas observações de uma galáxia anã, com o telescópio espacial Hubble, revelaram que se trata do mais pequeno conjunto de estrelas do Universo a ter, no seu “coração”, um buraco negro supermassivo, informou hoje a agência espacial europeia ESA.

A galáxia, a M60-UCD1, localiza-se a 50 milhões anos-luz da Terra e, apesar de o seu diâmetro ser muito pequenino, 1/500 do da Via Láctea, é muito compacta, tem muitas estrelas, cerca de 140 milhões, sendo que pelo menos um milhão delas poderiam ser vistas pelos humanos a olho nu caso vivessem na galáxia – por comparação, na Terra, apenas quatro mil estrelas estão visíveis.

A descoberta, que foi feita por uma equipa internacional de astrónomos e foi publicada na edição de quinta-feira da revista científica Nature, mostra que a M60-UCD1 esconde um buraco negro com uma massa equivalente à de 20 milhões de sóis, que perfaz 15 por cento da massa total da galáxia e que pesa cinco vezes mais do que o buraco negro que existe no centro da Via Láctea.

utah.edu

Anil Chandra Seth, astrónomo da Universidade do Utah

Anil Chandra Seth, astrónomo da Universidade do Utah

Isto é absolutamente espantoso, atendendo a que a Via Láctea é 500 vezes maior e mais de mil vezes pesada do que a M60-UCD1″, assinalou o autor principal da investigação, Anil C. Seth, da Universidade do Utah, nos Estados Unidos, acrescentando, em comunicado, que “mesmo o buraco negro no centro da Via Láctea, que tem uma massa de quatro milhões de sóis, continua a representar menos de 0,01 por cento da massa total da Via Láctea”.

A equipa de astrónomos descobriu o buraco negro supermassivo ao observar a galáxia M60-UCD1 com o telescópio espacial Hubble e o telescópio ótico e de infravermelhos Gemini Norte, de oito metros de diâmetro, no Havai, Estados Unidos.

As imagens obtidas pelo Hubble, instrumento gerido pela ESA e pela agência espacial norte-americana NASA, deram informação sobre o diâmetro da galáxia e a sua densidade estelar, enquanto o Gemini foi usado para medir o movimento das estrelas quando eram afectadas pelo “puxão” gravitacional do buraco negro.

Os dados obtidos foram utilizados para calcular a massa do buraco negro.

NASA / ESA / Space Telescope Science Institute

Uma imagem captada pelo Hubble mostra a enormegaláxia M60 e, no canto inferior direito, a galáxia anã superdensa M60-UCD1, a galáxia mais pequena que se conhece.

Uma imagem captada pelo Hubble mostra a enormegaláxia M60 e, no canto inferior direito, a galáxia anã superdensa M60-UCD1, a galáxia mais pequena que se conhece.

Os astrónomos crêem que pode haver uma população substancial de buracos negros, mais do dobro dos que existem no Universo Local.

“A descoberta sugere que as galáxias compactas podem ser, actualmente, um vestígio de galáxias que foram rasgadas durante colisões com outras, em vez de pequenas ilhas de estrelas nascidas isoladamente”, defendeu Anil Seth.

Segundo um outro astrónomo da equipa, Remco van den Bosch, do Instituto de Astronomia Max Palnck, em Heidelberg, na Alemanha, a galáxia M60-UCD1, que em tempos teve 10 mil milhões de estrelas, “pode ter passado demasiado próximo” do centro da sua galáxia vizinha, e maior, a Messier 60.

Nesse processo, “a parte exterior” da M60-UCD1 poderá ter-se desmembrado, para se tornar um elemento da Messier 60, “deixando para trás apenas a mais pequena e compacta galáxia”.

A equipa de cientistas acredita que a galáxia M60-UDC1 poderá, um dia, fundir-se com a Messier 60, formando uma só galáxia, com um buraco negro monstruoso.

A Messier 60 tem um buraco negro 4,5 mil milhões de vezes maior do que o Sol e mais de mil vezes maior do que o buraco negro da Via Láctea.

/Lusa

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