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A ligação entre a microgravidade na Estação Espacial Internacional e o autismo

Cientistas estudam impacto da microgravidade na Estação Espacial Internacional a nível do desenvolvimento neural.

O autismo é uma realidade cada vez mais presente. 1% das crianças Perturbação do Espetro do Autismo (PEA) e, só em Portugal, estima-se que haja mais de 60.000 pessoas autistas.

É um aumento a um ritmo alarmante – mas continuam a faltar respostas.

No contexto do Congresso Europeu do Autismo 2025, que está marcado para Abril, recorda-se o que tem mostrado a evidência científica recente em relação ao impacto no autismo.

De acordo com estudos realizados na Estação Espacial Internacional, as células cerebrais cultivadas em microgravidade sofrem um aceleramento do envelhecimento ao regressar à Terra.

O investigador Alysson Muotri destaca, em comunicado enviado ao ZAP: “Este fenómeno pode ajudar a compreender fases mais avançadas do autismo, permitindo responder a questões cruciais como a possibilidade de desenvolvimento de epilepsia em crianças autistas ou a reversibilidade do autismo na idade adulta sem comprometer habilidades cognitivas. Estas descobertas abrem novas perspetivas para futuras abordagens terapêuticas”.

Além deste estudo no Espaço, a ciência tem alcançado outros patamares em relação ao autismo.

Em relação à genética, variantes no gene DDX53 foram identificadas como possíveis fatores-chave no desenvolvimento do autismo – o que ajuda a explicar a maior prevalência do autismo em homens.

Sobre o impacto metabólico, a evidência científica mostra alterações metabólicas durante o período gestacional; podem ter um papel determinante na manifestação do autismo, reforçando a interação entre fatores ambientais e genéticos.

Já na ligação genética-cerebral: pela primeira vez, foi estabelecida uma relação entre fatores genéticos e alterações estruturais e celulares no cérebro, abrindo caminho para terapias mais eficazes e personalizadas.

Tem havido avanços na investigação, mas persistem as barreiras no acesso ao diagnóstico, ao ensino, ao emprego e à saúde; e milhares de famílias ficam sem o suporte adequado.

Para evitar a marginalização dos autistas, Indihara Horta, organizadora do congresso, apela: “O autismo não pode continuar a ser uma questão secundária. Precisamos de respostas políticas, apoio real às famílias e um compromisso efetivo com a inclusão”.

ZAP //

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