A Turquia continua a concentrar tanques e tropas na fronteira com a Síria, e a enviar material militar aos destacamentos aí posicionados, informou este sábado a agência Anadolu.
Segundo a agência estatal turca Anadolu, mais uma coluna de veículos blindados de transporte de pessoal e outros veículos militares chegou este sábado à província de Hatay, situada na fronteira com a Síria.
O equipamento militar, deslocado de diversas unidades das forças armadas turcas, chegou à estação ferroviária de Iskenderun para reforçar os destacamentos posicionados na fronteira.
Ancara iniciou em janeiro de 2018 a operação Rama de Oliveira em território sírio contra as milícias curdas e, no passado mês de dezembro, o presidente Recep Tayyip Erdogan anunciou que o país estava a preparar-se para iniciar uma nova operação militar no país vizinho.
Segundo o The Wall Street Journal, agora que os Estados Unidos decidiram retirar as tropas do território, retirando até o apoio aos combatentes envolvidos na luta contra o Daesh, a Turquia pretende normalizar a situação na Síria à sua maneira.
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que a presença norte-americana na Síria cessaria em dezembro de 2018. Apesar disso, em janeiro de 2019, Trump decidiu prolongar a retirada das tropas durante mais quatro meses.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Mevlut Cavusoglu, disse esta quarta-feira que, em qualquer caso, a intervenção militar turca contra os curdos não depende da retirada dos Estados Unidos de território sírio.
O povo curdo está distribuído pelo Oriente Médio, encontrando-se nos territórios do leste da Turquia, no oeste e norte do Irão, no norte da Síria e em algumas regiões do Iraque – um território que faria do Curdistão um dos maiores países da região.
Os curdos nunca aceitaram o Tratado de Lausana, de 1923, que os privou de um Estado independente. Os 36 milhões de curdos são o maior povo sem país próprio – bastante à frente dos 6 milhões de tibetanos, segundo maior povo do mundo sem país, dos 5.3 milhões de palestinianos e dos 5 milhões de ciganos.
A luta dos curdos pela auto-determinação tem encontrado forte oposição da Turquia, que tem intervido na região de modo a impedir a formação de uma autonomia curda.
ZAP // Sputnik News / WSJ