Sporting 0-5 Manchester City | Citizens de outra galáxia para leão tenrinho

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Tiago Petinga / Lusa

Demasiado fortes. A ideia com que ficámos no final da partida da primeira mão dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões foi que, fosse qual fosse a estratégia do Sporting para este jogo, seria quase impossível contrariar o futebol dominador, seguro, impositivo, inteligente e eficaz do Manchester City.

O campeão inglês jogou como quis, aproveitou os (poucos) espaços que o “leão” concedeu, com mestria, cortou as transições dos portugueses e marcou cedo… e depois numa cadência natural. Bernardo Silva (2), Riyad Mahrez, Phil Foden e Raheem Sterling fizeram os estragos.

Tudo começou mal. Aos sete minutos, num lance em que quase todos pararam à espera de fora-de-jogo, Kevin De Bruyne assistiu Mahrez para o 1-0. E a verdade é que só após análise do VAR o tento foi validado, após ter sido inicialmente anulado.

O primeiro aconteceu ao terceiro remate do City, segundo enquadrado. O 2-0, num grande golo de Bernardo Silva, aconteceu aos 17 minutos, ao sexto disparo dos “citizens”, terceiro à baliza.

Nesta altura o Sporting não tinha qualquer tentativa de visar o alvo.

O City continuou a jogar como queria, numa pressão em terrenos muito adiantados, em constantes trocas de bola, jogadores a deslocarem-se constantemente para espaços vazios, que a equipa leonina raramente povoa, e em combinações e movimentos de ruptura.

Aos 32 minutos o 3-0, por Phil Foden, a aproveitar erros defensivos da equipa lusa, que lhe são pouco habituais.

E perto do descanso, mais um lance com Raheem Sterling em velocidade até à linha e a centrar para novo golo de Bernardo Silva, num remate na passada.

Melhor no primeiro tempo? Bernardo, com um extraordinário 8.3, fruto de dois golos em dois remates e ainda três desarmes.

O segundo tempo começou com o “hat-trick” de Bernardo, golo de cabeça… anulado por fora-de-jogo.

Mas aos 59 minutos contou mesmo, o 5-0 por Sterling, através de um extraordinário remate ao ângulo, de fora da área. Um tento que teve o condão de acalmar o jogo.

O City percebeu que estava tudo mais do que decidido e colocou pé no travão, não deixando, de qualquer forma, de controlar completamente as operações até final.

As estatísticas mostram isso mesmo. O City teve muita bola, trocou-a como quis e anulou quase por completo as iniciativas atacantes do “leão”, que praticamente não rematou ou criou perigo.

Melhor em Campo

Que jogão de Bernardo Silva. Os assobios com que a plateia de Alvalade brindou o ex-Benfica não espantam ninguém, pois é assim em todo o lado perante jogadores que já representaram rivais.

O que espantou foi mesmo a exibição do internacional luso que, alheio ao que vinha de fora, espalhou classe em todo o relvado. O GoalPoint Rating de 8.6 reflecte dois golos em dois remates, uma assistência em dois passes para finalização, e ainda três desarmes. Uma noite para mais tarde recordar.

Destaques do Sporting

Islam Slimani 5.0 – O “melhor” rating leonino. Não tanto pelo que produziu, mas pelo pouco tempo que teve para acompanhar os colegas no acumular de acções falhadas, uma vez que esteve em campo somente 17 minutos. De positivo o facto de ter ganho um de dois duelos aéreos ofensivos.

Manuel Ugarte 4.9 – Dos “leões” que jogaram mais de 20 minutos (neste caso 40), o médio foi o que teve melhor nota… e foi negativa. Destaque apenas para 14 passes certos em 17 e dois desarmes.

Pedro Porro 4.3 – O espanhol tentou mostrar serviço a… Guardiola e até imprimiu alguma vivacidade ao corredor direito, com sete tentativas de drible, três com êxito. Mas perder a posse quatro vezes no primeiro terço não ajudou e ilustra o que o City conseguiu pelo seu corredor.

Pedro Gonçalves 4.1 – O Sporting rematou apenas três vezes, “Pote” foi o autor de dois deles, nenhum enquadrado. Somou quatro acções com bola na área contrária e seis recuperações de posse.

Ricardo Esgaio 3.8 – O lateral jogou desta feita do lado esquerdo, mas foi impotente para travar todos os adversários que lhe apareceram pela frente, em especial Mahrez.

Antonio Adán 3.4 – A pior nota da noite, mais pelo número de golos sofridos do que por erros cometidos. Fez duas defesas e esteve mal no passe, em especial o longo, com 13 feitos e um completo.

Destaques do Manchester City

Riyad Mahrez 8.6 – Um “diabo” à solta no flanco direito e um pesadelo para Esgaio. O argelino fez um golo, uma assistência em quatro passes para finalização, oito passes ofensivos valiosos, somou o máximo de acções com bola na área contrária (6) e completou três de quatro tentativas de drible.

Raheem Sterling 8.4 – Só o golo que marcou dava para lhe dar uma nota positiva, mas o extremo inglês fez muito mais do que isso, nomeadamente uma assistência, seis passes ofensivos valiosos, quatro dribles completos em sete tentativas, cinco acções defensivas no meio-campo leonino e três desarmes.

Kevin De Bruyne 6.5 – O “maestro” do City fez um jogo tranquilo. Em três passes para finalização somou uma assistência, registou seis passes ofensivos valiosos, completou 47 de 50 passes (94%) e dois super aproximativos.

Rúben Dias 6.3 – Sólido a defender (nas poucas vezes que teve de o fazer), esteve muito bem no passe, com 76 certos em 82, e registou quatro alívios.

Resumo

  // GoalPoint

2 Comments

    • Porquê? Vai doer menos se for o Liverpool? Por mim, como o meu clube não será de certeza, gostaria que fosse o Manchester City, quatro jogadores ex-Benfica, ex-Seixal, estiveram ontem em Alvalade, titulares, é razão suficiente para mim. Se for o Liverpool ou o Bayern, também ficarei agradado. E se o Ajax eliminar o Benfica e for campeão, ficarei ainda mais agradado por ter sido eliminado pelo campeão. Outra coisa: fico sem qualquer reacção de satisfação quando qualquer que seja a equipa portuguesa é goleada por outra estrangeira, seja SLB, FCP, SCP ou outra, zero de alegria. Ontem, quando soube o resultado, foi só confirmar o que já esperava, mais golo menos golo, deixou-me completamente frio. O City calhou ao SCP, se tivesse sido o SLB ou FCP, o resultado teria sido o mesmo, mais golo menos golo. A liga portuguesa está cada vez mais fraca, mas como só eu vejo o facto, devo estar enganado.

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