Esqueça o Metaverso. Zuckerberg aponta a próxima “máquina de fazer dinheiro”

Alex Wong / Getty Images / AFP

Mark Zuckerberg, fundador e CEO do Facebook

Mark Zuckerberg, o CEO da Meta, que passou a maior parte dos últimos doze meses a transformar o seu império numa empresa focada no metaverso, inverteu o rumo esta semana e disse que será o WhatsApp a impulsionar o crescimento das vendas nos próximos anos.

Estas declarações, feitas aos funcionários da Meta durante uma reunião, foram relatados pela primeira vez pela Reuters e surgem semanas após uma ronda de despedimentos em massa, com impacto em 11.000 funcionários.

Segundo noticiou o Gizmodo, Zuckerberg respondeu às perguntas dos funcionários indicando que o WhatsApp e o Messenger serão “provavelmente ser o próximo grande pilar do negócio”. A rentabilidade dessas duas aplicações, em comparação com o Facebook e o Instagram, ainda se encontra numa fase relativamente precoce.

O WhatsApp é a aplicação de mensagens mais utilizada no mundo. Embora os anteriores proprietários da empresa seguissem a ideologia “sem anúncios, sem jogos e sem truques”, a Meta tem testado a longo dos anos formas de integrar lentamente a publicidade através na plataforma.

Na mesma reunião, questionado sobre as despesas da empresa, Zuckerberg disse que os funcionários eram a maior despesa, seguidos das infraestruturas para os anúncios. De acordo com o CEO, 20% das despesas da empresa foram aplicados nas suas ambições a nível do metaverso. Desse valor, 40% vão para produtos de realidade virtual e 10% para plataformas sociais de tipo metaverso.

Embora Zuckerberg não esteja a desistir do metaverso, os comentários recentes sugerem que começa a ter em consideração as críticas dos funcionários e acionistas à recente estratégia empresarial da empresa.

O segmento de Reality Labs da Meta já perdeu 9,4 mil milhões de dólares só este ano, enquanto as receitas diminuíram quase 50% de ano para ano durante o terceiro trimestre, apesar de a Meta ser proprietária do Quest 2, o headset VR mais vendido do mundo.

Contudo, como notou o Gizmodo, ao invés de apertarem os seus cintos perante as vendas mais fracas de VR este ano, Zuckerberg e a sua equipa optaram por criar um outro headset, com um rastreio ocular de 1500 dólares de realidade mista.

“Prevemos que as perdas operacionais da Reality Labs em 2023 cresçam significativamente”, disse a Meta à CNBC. “Depois de 2023, esperamos apanhar o ritmo nos investimentos da Reality Labs de modo a podermos atingir o nosso objetivo de crescimento do rendimento operacional da empresa a longo prazo”.

Entre janeiro e novembro, o preço das ações da empresa tinha caído mais de 72%.

“Se qualquer outra empresa o tivesse feito, teria investidores a escrever cartas, a propor alternativas ao nível dos diretores, a exigir mudanças”, indicou ao Financial Times Jim Tierney, responsável pelo financiamento do desenvolvimento dos EUA.

  ZAP //

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