Grandes marcas como a Zara, H&M ou Nike estão ligadas à desflorestação da Amazónia, revela estudo

Uma nova pesquisa, que teve como objeto de estudo as cadeias de abastecimento globais da indústria da moda, mostra que as grandes marcas correm o risco de estar a contribuir fortemente para a desflorestação na floresta da Amazónia.

O relatório, divulgado nesta segunda-feira, analisou quase 500.000 linhas de dados alfandegários e descobriu que marcas como a Coach, LVMH, Prada, H&M, Zara, Adidas, Nike, New Balance, Teva, UGG ou Fendi têm múltiplas ligações com uma indústria que sustenta a desflorestação na Amazónia.

Isto porque estas marcas, e muitas outras, têm ligações com o maior exportador de couro brasileiro, a JBS, que é conhecida por uma das empresas responsáveis pela desflorestação da Amazónia.

Recentemente, a JBS assumiu o compromisso de atingir a desflorestação zero na sua cadeia de fornecimento global até 2035. Contudo, para vários grupos ambientais alertam que esta meta é considerada insuficiente.

O estudo, conduzido pela Stand.earth, revela descobertas surpreendentes já que algumas das marcas visadas anunciaram há pouco tempo políticas que tinham como objetivo o afastamento de atores das cadeias de abastecimento que contribuem para a desflorestação.

Das 84 empresas contempladas no relatório, 23 tinham políticas explícitas de combate à desflorestação.

Como tal, os investigadores acreditam que essas 23 empresas podem estar a violar as suas próprias políticas. A marca LVMH, por exemplo, foi apontada como tendo um alto risco de conexão à desflorestação da Amazónia – apesar de no início deste ano se comprometer com a Unesco para proteger a região.

Sónia Guajajara, coordenadora executiva da Aliança dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), disse que as marcas têm “a responsabilidade moral, a influência e os recursos económicos” para parar de trabalhar com fornecedores que contribuem para a desflorestação na Amazónia hoje e “não daqui a 10 anos”.

Por usa vez, Angeline Robertson, uma das investigadoras que participou no estudo, disse ao jornal The Guardian que tem esperança que a indústria da moda aproveite as novas descobertas para começar a “trabalhar no seu próprio interesse”.

“Neste momento de emergência climática, se a indústria da moda quer ser relevante, esta é a oportunidade”, afirmou.

  ZAP //

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