Vikings desapareceram da Gronelândia (e as morsas podem ajudar a explicar porquê)

O colapso das colónias nórdicas da Gronelândia e o desaparecimento inexplicável dos Vikings que por lá viviam continua a ser um grande mistério. Mas, agora, investigadores sugerem que isso pode ter sido desencadeado, em parte, pela exploração excessiva do seu recurso mais valioso: as morsas.

Segundo a revista Newsweek, o marfim da morsa era comercializado na Europa, no início do período medieval, para ser usado em objetos como crucifixos e peças de jogos. As povoações nórdicas da Gronelândia mantinham uma espécie de monopólio sobre o produto, mas, apesar do sucesso, também pode ter sido esta grande procura que ditou a sua queda.

A análise de produtos de marfim desta época sugere que os comerciantes dependiam cada vez mais de animais menores, frequentemente fêmeas de regiões mais a norte. Por outras palavras, isto significava uma jornada mais longa e também mais perigosa que, muitas vezes, se traduzia depois numa recompensa menor.

A equipa de cientistas do Reino Unido e da Noruega analisou 67 peças de rostro — uma parte do crânio e focinho — que datam dos séculos XI e XV. Uma combinação do ADN e isótopos estáveis foi usada para determinar o sexo e a geografia do animal.

Os resultados dessa análise sugerem uma mudança para animais de um ramo evolutivo de morsa encontrado predominantemente na área ao redor da Baffin Bay, no noroeste do país. Essa teoria é apoiada pela presença de artefactos nórdicos entre os restos dos povoamentos dos Inuítes dos séculos XIII e XIV, dizem os investigadores.

Uma proporção mais alta de fêmeas sugere que houve uma pressão sobre os recursos, provavelmente causada pela exploração excessiva das populações de morsas — embora as mudanças climáticas (a chamada “Pequena Era do Gelo”) também possam ter contribuído.

À medida que a cadeia de suprimentos diminuía, parece ter havido uma preferência crescente na Europa continental pela presa de elefante, trazida pelas rotas comerciais da África Ocidental.

“Apesar de uma queda significativa, as evidências indicam que a exploração de morsas pode até ter aumentado durante os séculos XIII e XIV”, afirma James H. Barrett, investigador do departamento de Arqueologia da Universidade de Cambridge que liderou o estudo publicado na revista científica Quaternary Science Reviews.

“Enquanto os gronelandeses perseguiam as populações de morsas empobrecidas sempre para norte, para um retorno cada vez menor, deve ter chegado a um ponto em que era insustentável. Acreditamos que essa ‘maldição de recursos’ minou a resiliência das colónias da Gronelândia”.

O resultado foi uma “tempestade perfeita” entre menos recursos e menos procura, exacerbada ainda mais pelas alterações climáticas, que há muito se propõem como uma das razões do desaparecimento do povo nórdico na Gronelândia no século XV.

ZAP ZAP //

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2 COMENTÁRIOS

  1. A explicação simples com factos confirmados deixou de ser “politicamente correta” e arranjam-se explicações secundárias!
    A Groenlândia foi povoada pelos vikings no período quente (que ao mesmo tempo provocou as grandes secas que acabaram com a civilização Maia), estabeleceram cidades com catedrais e tiveram uma muitas explorações agrícolas.
    Quando houve o arrefecimento progressivo da mini idade do gelo (que mergulhou a Europa na “idade das trevas”) a fome instalou-se lá, como na Europa, deixando de ser possível o cultivo dos cereais e a criação de gado.
    Foi a fome e não a falta de dentes de morsa para venda que fez terminar a estadia dos vikings na Groenlândia!

    • Exactamente.
      O que você afirmou já se sabia há muitos anos. Eu próprio vi documentários sobre isto. Frio, doença, e fome mataram os últimos vikings.

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