Ventura convidou PSD e IL para “movimento de convergência à direita”

Paulo Novais / Lusa

André Ventura - Chega

André Ventura

André Ventura anunciou, esta sexta-feira, ter enviado uma carta a Luís Montenegro e a Jorge Moreira da Silva, candidatos à liderança do PSD, e ao presidente da Iniciativa Liberal (IL), João Cotrim de Figueiredo, para juntos encontrarem “uma verdadeira alternativa à governação socialista”.

O presidente do Chega desafiou os candidatos à liderança do PSD, Luís Montenegro e Jorge Moreira da Silva, e o líder da Iniciativa Liberal, João Cotrim de Figueiredo, para um “movimento de convergência à direita” do Governo e uma conferência que junte partidos de “alternativa ao espaço socialista”.

“O Chega, através de carta endereçada por mim, contactou hoje os dois candidatos à liderança do PSD, quer Luís Montenegro, quer Jorge Moreira da Silva, com o intuito muito claro” de, “independentemente de quem vença eleições de 28 de maio, se realizar no mês a seguir uma grande conferência de alternativa ao espaço socialista em Portugal”, afirmou.

O objetivo é que esta conferência se repita anualmente, durante os próximos quatro anos da legislatura, no final de cada sessão legislativa. E “decorrerá quer o PSD aceite, quer o PSD não aceite”, salientou.

Em declarações aos jornalistas na Assembleia da República, o líder do Chega indicou que propôs na carta enviada “cinco linhas de entendimento possíveis para começar a criar um movimento de convergência à direita” que “possa ir amadurecendo ao longo dos próximos quatro anos”.

Essas linhas de entendimento incluem “uma lógica de política económica à direita orientada para o crescimento, a ideia de uma política fiscal e económica orientada para a produtividade e para o aumento de salários e pensões, a ideia de participação portuguesa na União Europeia e a nível internacional, a reforma da justiça”, uma das “áreas onde há mais colisão entre o Chega e o PSD” e a “reforma do sistema eleitoral, sabendo-se que o Chega defende uma redução permanente e persistente dos cargos políticos e uma simplificação do sistema político”, elencou Ventura.

“Da análise que fizemos, encontramos cinco pontos que é necessário termos de convergência mínima para podermos ter um Governo à direita com Chega, PSD e IL“, indicou.

“Se chegarmos a um entendimento sobre estas matérias conseguiremos ao longo de quatro anos formar uma alternativa para enfrentar António Costa ou quem lhe suceda” à frente do PS, defendeu o líder do Chega, apontando que o erro dos partidos à direita nas últimas eleições foi não terem “feito isto a tempo”.

O presidente do Chega reconheceu que “há diferenças muito profundas” entre os partidos, mas salientou que este entendimento é “uma necessidade imperiosa”, mantendo “as identidades de cada força” política.

Ventura espera que o seu convite possa ser aceite “como reconhecimento dos erros que Rui Rio [o ainda líder do PSD] cometeu ao não aceitar a proposta do Chega” para um entendimento “no momento em que ela deveria ter sido aceite”.

Além dos dois candidatos à liderança do maior partido da oposição, Ventura convidou também para organizar esta conferência a Iniciativa Liberal, mas indicou que estenderá o convite a “outros partidos não parlamentares” para participarem “neste encontro de natureza estritamente partidária”.

No mesmo dia, Jorge Moreira da Silva afirmou que não dá para o “peditório” do Chega, reafirmando que com o partido de André Ventura “nunca, jamais, em tempo algum”.

Em Barcelos, no distrito de Braga, à entrada de um encontro com militantes no âmbito da campanha para as diretas de 28 de maio, o candidato laranja lembrou que, sobre aquele assunto, já disse tudo o que tinha a dizer em 2020.

“A minha posição desde 2020 é muito simples e diz-se numa frase: nunca, jamais, em tempo algum. É simples, não tem novidade”, sublinhou.

“Não dou para esse peditório (…). Percebo que o meu competidor direto nesta campanha [Luís Montenegro] tenha mais dificuldade nesse tema e tenha andado a dar respostas um pouco ziguezagueantes, mas no meu caso não há história”, reagiu Jorge Moreira da Silva.

  ZAP // Lusa

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