Ursos polares famintos estão a comer baleias (e isso ajuda-os a sobreviver ao aquecimento)

Victor Nikiforov / WWF Rússia

Há mais de um ano, ursos polares reuniram-se num ilha ao largo da costa norte da Sibéria para devorar uma baleia morta. Um estudo recente defende que, no passado geológico, os ursos polares podem ter sobrevivido ao aumento das temperaturas como caçadores de baleias.

Há mais de um ano, mais de 150 ursos polares reuniram-se num ilha remota, ao largo da costa norte da Sibéria, para devorar uma baleia morta. Aquele ajuntamento foi um verdadeiro enxame de ursos polares que se divertiam a comer uma baleia – um evento que pode tornar-se muito comum com o aumento das temperaturas.

Um estudo recente defende que, no passado geológico, os ursos polares podem ter sobrevivido ao aumento das temperaturas como caçadores de baleias, trocando a sua vida como caçadores de focas no gelo. O estudo defende, por sua vez, que alguns ursos polares podem novamente concretizar essa troca, já que a mudança climática provocada pelo Homem faz com que a camada de gelo do mar Ártico caia.

Segundo a Gizmodo, este decréscimo do gelo do mar traduz-se em cerca de 26 mil ursos polares espalhados pelo alto Ártico, que terão de caminhar e gastar muita mais energia para caçar focas que, atualmente, são a sua fonte principal de alimento.

No entanto, o estudo mostra que as carcaças das baleias são as “maiores parcelas de matéria orgânica no oceano”. Geralmente, as carcaças acabam no fundo do mal. Todavia, a acumulação de gases dentro da carcaça em putrefação de uma baleia morta pode levá-la para a costa.

A questão é: conseguirão as baleias mortas ser o suficiente para sustentar os ursos polares, em vez de serem apenas um almoço grátis ocasional? Em alguns lugares, sim.

O artigo científico, publicado na Ecological Society of America, no dia 9 de outubro, dá conta de que, numa população hipotética de 1.000 ursos, eram consumidas 26.400 focas, o que equivale a cerca de 20 carcaças.

Estes números contrastam favoravelmente às quase 50 carcaças de baleias grandes estimadas para serem despejadas no litoral do Alasca e do leste da Sibéria a cada verão. “Os cientistas levantam a hipótese de que a passagem para a dieta à base de baleias ajudou alguns ursos polares a atravessar príodos quentes como o Eemiano, há 130-115.000 anos, durante os quais a extensão do gelo do mar Ártico foi diminuída.

Kristin Laidre, principal autora do artigo e bióloga marinha da Universidade de Washington, alertou que o estudo analisou apenas as taxas de encalhe de baleias em algumas partes do Ártico, e que em outros habitats pode não haver um número tão grande de baleias mortas.

“A Gronelândia, que é muito montanhosa, não é um lugar onde temos muito enfraquecimento”, disse Laidre. “Há definitivamente partes do Ártico onde isso é improvável ou não ocorre.”

Além disso, mesmo que a história climática da Terra nos diga que os ursos polares sobreviveram a um ártico no passado, isso não significa necessariamente que estes animais serão capazes de se adaptar ao rápido aquecimento que está a ocorrer atualmente.

Esperemos que sim. Ainda assim, se ouvir por aí que os ursos polares estão a comer baleias, acene com a cabeça e lembre-se que a natureza está a fazer os possíveis para se adaptar à confusão que criamos no nosso planeta.

ZAP //

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