O Universo está em excesso de velocidade e pode rasgar-se a meio

JPL-Caltech / NASA

A galáxia M77 (ou NGC 1068) vista nesta ampliação obtida pelo Telescópio Espacial Hubble

A galáxia M77 (ou NGC 1068) vista nesta ampliação obtida pelo Telescópio Espacial Hubble

Os cientistas não sabem ao certo porquê, mas novos cálculos mostram que o universo está a expandir-se mais rápido do que o esperado, possivelmente em resultado de algo que apenas suspeitamos que exista – a radiação escura.

A mais recente pesquisa sobre os movimentos das estrelas descobriu que o universo está a expandir-se entre 5% e 9% mais rapidamente do que no início da sua existência, o que poderá levar a um rasgão bem a meio do Cosmos.

“Um universo engraçado ficou ainda mais engraçado”, diz Brad Tucker, investigador australiano e astrofísico da Universidade Nacional da Austrália (ANU), à Business Insider.

“Pode ser uma nova força semelhante à energia escura, ou uma nova partícula, ou pode ser que a energia escura em si mudou ao longo do tempo”, acrescenta o cientista.

“Pensávamos que estávamos perto de compreender a energia escura, mas agora sabemos que não estamos nem perto de saber a resposta. Há imenso trabalho a fazer”.

Estrelas, planetas e gás representam apenas 5% do universo – o resto é formado por 25% de matéria escura e 70% de energia escura, sendo que ambas são invisíveis e nunca foram diretamente detetadas.

Os valores precisos da expansão a partir de 13,7 mil milhões de anos atrás foram calculados a partir de observações da radiação cósmica de fundo, o brilho muito fraco do Big Bang.

A pesquisa está a ser conduzida pelo Nobel da Física Adam Riess, do Space Telescope Science Institute e da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, que em 1998 descobriu a energia escura num trabalho em rede com Brian P. Schmidt e Saul Perlmutter.

Distância duplicada e possível rasgão

O telescópio espacial Hubble foi usado para observar as estrelas variáveis, chamadas de Cefeidas, e supernovas de tipo Ia, ambos com brilho conhecido, o que permite que a sua distância seja determinada com precisão.

A equipa mediu os movimentos de cerca de 2.400 estrelas cefeidas e cerca de 300 supernovas Tipo Ia por mais de dois anos e meio. O trabalho foi referido num artigo da revista Nature em abril, quando ainda aguardava a revisão por pares, e os resultados revistos pelos pares serão publicados na próxima edição da revista The Astrophysical Journal.

A partir destas medições, os cientistas calcularam a taxa de expansão do universo, conhecida como a constante de Hubble, com o valor de 73,2 quilómetros por segundo por megaparsec (um megaparsec equivale a 3,26 milhões de anos-luz).

Este novo valor significa que a distância entre os objetos cósmicos vai duplicar nos próximos 9,8 mil milhões de anos.

NASA, ESA e A. Reiss (STScI/JHU)

Esta imagem captada pelo Hubble mostra a UGC 9391, uma das galáxias usadas no estudo que refinou a medição da velocidade de expansão do Universo

Esta imagem captada pelo Hubble mostra a UGC 9391, uma das galáxias usadas no estudo que refinou a medição da velocidade de expansão do Universo

A equipa tem uma série de teorias para o excesso de velocidade do universo. Uma possibilidade é que a energia escura pode estar a empurrar as galáxias para longe umas da outras com uma força crescente denominada energia escura fantasma.

Outra ideia é que o cosmos conteria uma partícula subatómica na sua história primitiva que viajou perto da velocidade da luz e afetou a taxa de expansão. Estas partículas rápidas são referidas coletivamente como radiação escura e incluem partículas já conhecidas, como os neutrinos.

O impulso na aceleração também pode significar que a matéria escura possui algumas características estranhas e inesperadas, o que pode dizer aos astrónomos que a teoria da gravidade de Einstein é incompleta.

Embora seja improvável que afete o futuro próximo da Humanidade, Tucker diz que os diferentes cenários poderiam ter sérias repercussões para o universo.

“Se a aceleração não for muito rápida, o Universo vai arrefecer enquanto expande, resultando num grande congelamento”, descreve.

“Mas se o universo não conseguir aguentar a sua própria aceleração, haverá um grande rasgão. O Universo vai literalmente rasgar-se a meio, o que seria incrível”.

HypeScience

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