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Tun Lin está na linha da frente contra a covid-19. Tem apenas 13 anos

(dr) Yan Naing Aung

O jovem de 13 anos Tin Lun Naing está na linha da frente contra a covid-19 em Myanmar.

O jovem de 13 anos Tin Lun Naing está na linha da frente contra a covid-19 em Myanmar. Começou por lavar caixões, mas agora já ajuda a transportar cadáveres.

A pandemia de covid-19 em Myanmar tem vindo a perder força, mas ainda no mês passado atingiu o pico da terceira vaga, com mais de 5 mil novos casos registados diariamente. Na linha da frente no combate à doença está Tun Lin Naing, de apenas 13 anos de idade. No mês passado, ajudou a carregar cerca de dez corpos todos os dias.

“Primeiro fiquei com medo, mas depois de pegar em mais e mais cadáveres, não tive mais medo. Eu sinto-me entorpecido”, disse Tun Lin à VICE.

A situação em Myanmar está longe de ser fácil. O país sofreu um golpe militar há mais de seis meses, desencadeando greves em que médicos saíram dos hospitais, o fornecimento de vacinas foi interrompido e o sistema de saúde esteve perto de colapsar.

A junta de Myanmar prendeu a responsável pela resposta à pandemia, acusando-a de estar ligada às manifestações. Com o surgimento da variante Delta, muitas pessoas em Myanmar ficaram por conta própria.

É neste panorama que Tun Lin tem feito o que pode para ajudar o seu país. Totalmente blindado em equipamento de proteção individual, o jovem de 13 anos entra numa ambulância com os seus colegas e faz rondas pelas ruas. Ele é tido como o mais jovem trabalhador médico da linha da frente em Myanmar.

A instituição de caridade para a qual Tun Lin trabalha oferece transporte gratuito para cemitérios, hospitais e crematórios.

Inicialmente, Tun Lin apenas lavava caixões e ajudava idosos. Conforme a pandemia piorou, a criança quis fazer mais. Agora. está sob os cuidados da instituição de caridade e dorme nos seus escritórios.

Além disso, já transporta casos suspeitos de infeção para enfermarias de isolamento e os mortos em sacos de cadáveres para crematórios.

“O desafio é que os cadáveres são muito pesados, então tenho dificuldade em colocá-los nos sacos”, disse Tun Lin Naing à VICE. Ainda assim, perante as adversidades, o miúdo não planeia desistir e quer continuar a fazer isto “até ficar mais velho”.

  Daniel Costa, ZAP //

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