Trump sabia que apoiantes estavam armados, mas deixou-os avançar até ao Capitólio

Jim Lo Scalzo / EPA

Cassidy Hutchinson, antiga assessora da Casa Branca na administração Trump, disse que o ex-Presidente foi informado que os manifestantes do ataque ao Capitólio estavam armados, mas mesmo assim insistiu que os deixassem avançar.

“Deixem a minha gente passar”, terá dito Donald Trump, no dia 6 de janeiro de 2021. O ataque mortal ao Capitólio dos Estados Unidos ocorreu após alegações infundadas por parte de Donald Trump acerca de fraude eleitoral e do magnata ter apelado a uma multidão de apoiantes que impedissem a certificação da vitória eleitoral de Joe Biden.

“Não me importo que eles tenham armas”, terá dito Trump, segundo Hutchinson. “Eles não estão aqui para me magoar. Estou-me marimbando se eles têm ou não armas”.

Naquele dia, milhares de apoiantes do ex-Presidente republicano reuniram-se em Washington num comício para denunciar o resultado da eleição de 2020. As imagens de uma multidão a invadir a sede do Congresso dos Estados Unidos chocaram o mundo. Morreram cinco pessoas durante a invasão ao Capitólio.

Momentos antes, perto da Casa Branca, o então Presidente dos EUA já tinha feito um discurso em que encorajava os seus apoiantes a marchar em direção ao Capitólio, falando em fraude eleitoral.

Ainda recentemente, Donald Trump elogiou as ações dos seus apoiantes. “O 6 de janeiro não foi apenas um protesto, foi um dos maiores movimentos da história do nosso país para tornar a América grandiosa novamente”, disse o antigo chefe de Estado, numa alusão ao ‘slogan’ que utilizou nas eleições de 2016, “Tornar a América Grandiosa Novamente”.

“O presidente estava irado”, recorda Cassidy Hutchinson. “Ele queria juntar-se aos manifestantes. Quando entrou na ‘Beast’ [limusina presidencial] e ouviu que tal não seria possível, pois teria de regressar à Casa Branca imediatamente, ele respondeu: Eu sou o presidente, foda-se!”.

Já na limusina, Trump terá tentado levar a sua mão ao volante para tentar desviar a rota do veículo. No entanto, um dos elementos da sua equipa de segurança imobilizou o pulso do ex-Presidente, levando Trump a “aproximar a mão livre bem perto da garganta do indivíduo”.

Hutchinson foi ouvida ao longo de mais de duas horas pelos nove membros do Comité que procura esclarecer a responsabilidade exata de Donald Trump no evento que abalou a democracia norte-americana.

  Daniel Costa, ZAP //

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