Troca de candidatas na corrida à ONU abre guerra política na Bulgária

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A comissária europeia Kristalina Georgieva e Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU

A comissária europeia Kristalina Georgieva e Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU

O Partido Socialista búlgaro considerou uma “desgraça” a decisão do Governo de Sofia transferir o seu apoio de Irina Bokova para Kristalina Georgieva na corrida a secretária-geral das Nações Unidas, de acordo com o site do Sofia Globe.

O executivo do primeiro-ministro búlgaro, Boiko Borisov, decidiu mudar o apoio da atual diretora da UNESCO para a atual vice-presidente da Comissão Europeia, Kristalina Georgieva, depois do afundamento de Bokova na primeira fase de votações indicativas pelo Conselho de Segurança.

A Bulgária anunciou, antes da última votação do Conselho de Segurança, que ocorreu esta segunda-feira, que poderia retirar o apoio a Irina Bokova caso a candidata não figurasse no primeiro ou segundo lugares, mas esta piorou o seu resultado e teve sete votos de “desencorajamento”, contra seis “encorajamentos”.

A líder do PS búlgaro, Kornelia Ninova, disse esta quarta-feira que a mudança do apoio de Borisov é “inaceitável e inconsistente“, considerando, segundo o Sofia Globe, que apenas revela que o Governo búlgaro sucumbiu à influência externa em detrimento dos interesses nacionais da Bulgária.

Bokova, que exerce o segundo mandato à frente da UNESCO, foi sempre uma candidata incómoda para a coligação de centro-direita que governa a Bulgária, devido ao seu passado comunista e trajeto político até ao Partido Socialista (PS) búlgaro, pelo qual chegou a secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros nos anos 90.

Também o partido do ex-Presidente Georgi Purvanov, saído do PS búlgaro e fundador de um dos dois partidos mais pequenos representados na Assembleia Nacional em Sofia, o ABV, considerou a decisão como “dececionante”, pela voz de uma sua deputada, Mariana Todorova.

“Pensamos que a soberania da Bulgária e do Governo búlgaro estão em causa porque [esta decisão] foi obviamente influenciada por muitos fatores estrangeiros“, afirmou Todorova, citada pelo mesmo órgão búlgaro.

A deputada considerou ainda que Georgieva “não tem hipóteses” e isto foi “confirmado repetidamente por muitos analistas”.

Gemma Grozdanova, deputada do Cidadãos pelo Desenvolvimento Europeu da Bulgária (GERB), o partido de Boiko Borisov, manifestou, em contrapartida, a concordância com a decisão, considerando que irá aumentar as possibilidade de sucesso numa candidatura búlgara ao cargo máximo das Nações Unidas.

O que interessa é o resultado final, “é uma coisa muito importante para a Bulgária, portanto olhemos para isso de forma positiva”, afirmou Grozdanova.

Mustafa Karadaya, líder do Movimento para os Direitos e Liberdades (MDL), oposição, terceiro maior partido no parlamento búlgaro, considerou que “enquanto Estado, a Bulgária já fez muito para comprometer o sucesso nesta corrida. Vemos a decisão de hoje como mais uma que prejudica a imagem do país e em nada contribui para o sucesso na candidatura”.

Dimitar Delchev, um deputado do Bloco Reformista, uma coligação de centro-direita apoiante do Governo de Borisov, afirmou que Georgieva, enquanto candidata de centro-direita, europeia, uma candidata da Comissão Europeia, uma europeia de leste é “uma boa candidata”.

“Acreditamos que a liderança das Nações Unidas deve ser assumida por uma pessoa com um pensamento de centro-direita, tal como as pessoas que dirigem o Conselho da Europa e a Comissão Europeia”, afirmou Delchev.

/Lusa

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3 COMENTÁRIOS

  1. Cá está, a politique mais rasteira a funcionar.
    É fácil perceber porque isto acontece. Basta ler um pouco da história destas duas senhoras.
    A Irina Bukova, esteve na UNESCO, é uma senhora reconhecidamente séria, quer como pessoa, quer como profissional. Pertenceu aos comunistas bulgaros e está agora no PS Bulgaro.
    A Kristalina Georgieva, pelo contrário, esteve sempre ligada a grandes interesses económicos, também lhe reconhecem dotes de boa profissional, fez carreira no Banco Mundial, cujo presidente, nomeado por Bush, veio do….quem haveria de ser, Goldman Sachs.
    Lá está a mafia a funcionar. A ONU é muito apetecível, desde logo porque permite o controlo, por esta gentalha da direita que se mantém no dominio da UE, os “pobrezinhos”, os “refugiados” e todo o mais tipo de gente que de uma forma ou de outra, está debilitada e convém explorar.
    Em condições normais seria aceitável, um candidato de ultima hora, entrar na corrida, violando todas as regras, saltando etapas de selecção, num profundo desrespeito pelos demais candidatos? Acho que não. É jogo de gente trafulha, patrocianada por gente trafulha como a Merkel. Isto só prova que o jogo de interesses se sobrepõe á genese e principios desta instituição. É vergonhoso e indecente.

  2. Ca está, a total falta de respeito pelos outros, a corrupção descarada, que é característica normal dos partido centro-direita.
    Os governantes Bulgaros não passam de palhaços (com todo o respeito pelos artistas de circo), ganhem juízo e respeitem as votações que foram feitas, se não respeitam isso, como vão respeitar o valores que a instituição defende? Com isso, só demonstram que não tem nenhum carácter nem a minima competência para estar à frente de uma instituição dessas.

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